Por que as pessoas nascidas nos anos 90 têm vantagens únicas, segundo a psicologia?

Quem nasceu nos anos 90 viveu uma espécie de “dupla alfabetização”: aprendeu a se virar no mundo sem apps e, ao mesmo tempo, precisou entender rápido como funcionam telas, redes, mensagens e a lógica de estar sempre conectado.

Isso mexe com jeito de pensar, de se relacionar e até com como a pessoa reage quando as coisas mudam do nada — tema que aparece bastante em pesquisas de desenvolvimento humano, cognição e comportamento social.

Na psicologia, uma explicação frequente é que essa geração passou por fases bem diferentes na infância e na adolescência.

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Na infância, o cotidiano tinha mais brincadeira de rua, telefone fixo, TV com horário e menos “atalhos” digitais; na adolescência, veio a virada: internet se popularizando, celular virando item básico, redes sociais surgindo, e um monte de novidade que mudava rápido.

Quando você atravessa essas duas etapas, tende a criar um repertório mais amplo de estratégias para lidar com o dia a dia, porque nem tudo era resolvido com um clique — e, depois, passou a ser.

Do ponto de vista cognitivo, isso costuma ser associado a flexibilidade mental: alternar entre formatos diferentes de informação (conversa cara a cara, texto curto, fórum, vídeo, busca online) e escolher a ferramenta certa para cada situação.

Em vez de um único “modo de funcionar”, a pessoa acaba treinando troca de contexto: foco quando precisa, agilidade quando dá, e a capacidade de aprender interface nova sem entrar em pânico.

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No lado emocional, muitos psicólogos relacionam esse período a um treino de tolerância ao desconforto.

Antes da conexão constante, era comum esperar: pelo programa começar, pelo amigo chegar, pela resposta demorar, pela informação aparecer no jornal ou na TV.

Esse tipo de espera, repetida ao longo do tempo, pode fortalecer autorregulação (segurar impulso, organizar ansiedade, lidar com contratempos).

Quando a tecnologia acelera tudo depois, quem já viveu o “tempo lento” tende a sofrer menos com a sensação de que tudo precisa ser imediato.

No campo social, há outro ponto interessante: a geração de 90 formou amizades e habilidades de convivência primeiro com presença física como regra (olho no olho, leitura de tom de voz, timing de conversa, brincadeiras coletivas) e só depois adicionou comunicação mediada por tela.

Isso pode ajudar em empatia e leitura de sinais sociais, porque a base foi construída em interações mais completas — e a parte digital veio como complemento, não como ponto de partida.

Falando de vantagens práticas, dá para resumir algumas habilidades que aparecem com frequência quando se compara esse grupo com quem cresceu já com internet na mão:

  • Adaptação a mudanças: acostumados a ver ferramentas, plataformas e hábitos mudarem rápido.
  • Senso de equilíbrio entre online e presencial: sabem usar tecnologia para resolver, mas também reconhecem quando conversar ao vivo evita ruído.
  • Mais resistência a frustrações do cotidiano: experiência com espera, limitações e “não deu agora” antes da era do imediatismo.
  • Resolução de problemas sem depender do celular: perguntar informação, usar referências físicas, improvisar, testar caminhos.
  • Habilidades sociais bem treinadas: repertório de convivência construído fora da tela e depois expandido para a comunicação digital.

Outra ideia que aparece bastante é a relação com a tecnologia: muita gente dos anos 90 precisou “aprender” a usar, em vez de simplesmente crescer com tudo pronto e intuitivo.

Isso costuma gerar uma postura mais crítica: entender configurações, desconfiar de corrente, perceber quando uma rede está “prendendo” atenção, separar o que é útil do que é só barulho.

Não significa que todo mundo faça isso o tempo todo, claro — mas a experiência de ter visto o digital chegar, em vez de nascer com ele, pode facilitar esse tipo de ajuste.

Por fim, quando psicólogos falam em desafios atuais — excesso de informação, notificações, pressão por produtividade, comparação social — faz sentido pensar que quem já viveu dois ritmos diferentes (um mais desacelerado e outro mais acelerado) tenha mais recursos para dosar a própria exposição e escolher como quer funcionar no dia a dia.

Isso não torna ninguém “melhor”, mas ajuda a explicar por que certas habilidades parecem mais comuns nesse grupo.

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