Depois da polêmica envolvendo a HQ “Vingadores, a cruzada das crianças” – que sofreu uma tentativa de censura por parte do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, por conta da ilustração de um beijo gay entre dois personagens da trama – o youtuber Felipe Neto organizou uma ação para distribuir mais de 10 mil exemplares livros com temática LGBT neste sábado (7).

O prefeito do Rio tinha pedido para retirar da Bienal do Livro os exemplares da o livro e outros com “conteúdo impróprio” – de acordo com o político. Como resposta à atitude de Crivella, o youtuber divulgou um vídeo na última sexta-feira, 06, anunciando que comprou todo o estoque dos principais livros com temática LGBT do evento.

A primeira a receber foi Jocilene Tavares, que foi com os filhos até a Bienal. Ela enfrentou a fila que se formou desde 10h30 e acredita que essa ação é educativa.

“Acho importante que as pessoas, principalmente os adolescentes, que agora estão tendo a oportunidade de ter acesso a isso, saibam que existe e que devem respeitar a diversidade”, destacou Jocilene.

Maria Lúcia, filha dela, ganhou um exemplar de “Me chame pelo seu nome”, de André Aciman, que também teve uma versão cinematográfica que concorreu ao Oscar.

Os livros foram embalados em um plástico preto com o seguinte aviso: “Este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas”. Todos estavam sendo entregues gratuitamente.

“Eu espero que mesmo que você seja uma pessoa que não tem simpatia pela causa LGBT, que você enxergue o nível mais profundo de censura e repressão que isso representa (…). Esse é um recado para o Crivella. Eu fiz isso pra te mostrar que não tem como você ganhar isso. Não tem como vocês reprimirem a população em pleno 2019”, disse o youtuber no vídeo.
Desde cedo, uma equipe embalava os livros que seriam distribuídos. Em alguns estandes, a reposição das obras com esta temática já havia acontecido na manhã deste sábado.

Em nota, após Crivella afirmar que determinou o recolhimento dos livros. De acordo com a Prefeitura, eles estavam cumprindo o Estatuto da Infância e do Adolescente (ECA) e ameaçou cassar a licença da Bienal (veja mais abaixo).

“Livros assim precisam estar em um plástico preto, lacrado, avisando o conteúdo”, disse o prefeito em vídeo nas redes sociais.

O ECA, porém, não menciona a homossexualidade como fator para uma obra ser considerada imprópria.

Veja o que diz o estatuto:

“As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo.

Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca.

ART. 79. As revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter ilustrações, fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família.”

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de G1.
Fotos destacadas: Reprodução/Youtube e Divulgação.

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