Nas palestras para pais, sempre há perguntas a respeito do uso do computador e do celular: “Meu filho não desgruda dos jogos, às vezes deixa de comer e até de tomar banho, quase não sai de casa, dorme tarde e dificilmente estuda”; “minha filha passa horas conversando no MSN e mal fala conosco”; “tem centenas de amigos no Orkut e eu acho que ele não sabe avaliar os riscos de expor informações pessoais para estranhos e de frequentar certas comunidades”; “lá em casa, limitamos o tempo no computador, mas na casa da avó, fica até meia-noite e nem adianta reclamar com a minha mãe, porque ela aprendeu a usar o e-mail e o Google com a minha filha”.

Nos lares de classe média há um verdadeiro centro de entretenimento. Até mesmo para adultos, a atração pela diversão pode ser tão forte que as tarefas ficam para depois. Um alerta para o uso compulsivo do computador: pode prejudicar pessoas de todas as idades. Os profissionais de saúde que estudam o assunto apontam os sintomas mais comuns dessa compulsão:

  • Euforia quando está no computador, enquanto as demais atividades são consideradas desinteressantes;
  • Dificuldade de interromper o jogo ou a comunicação pelas redes sociais;
  • Desejo de dispor de maior número de horas para ficar no computador;
  • Reduzir ao mínimo o contato com pessoas da família e com amigos;
  • Mostrar-se deprimido ou irritadiço quando não está no computador;
  • Queda do rendimento escolar (ou da produtividade no trabalho), desinteresse pelas aulas (ou pelo trabalho);
  • Diminuição do sono (dorme menos para ficar mais tempo no computador) e do apetite (deixa de comer para ficar “conectado”);
  • Desleixo com a aparência pessoal e com hábitos de higiene;
  • Baixa motivação para cumprir tarefas e obrigações.

Do entretenimento à compulsão: as pessoas com baixa auto-estima, tendência à depressão e pouca autoconfiança para encarar obstáculos e desafios no mundo real encontram no mundo virtual um refúgio que funciona como antidepressivo. É a porta de entrada para o uso compulsivo do computador. Nos jogos eletrônicos, os erros podem ser rapidamente desfeitos, o dinheiro aparece com palavras mágicas, personagens morrem mas podem ressuscitar, descobrem-se atalhos eficientes para alcançar poder, a sensação de conquista e realização é intensa. A vida nos jogos virtuais parece mais excitante do que a realidade cotidiana.

Nos contatos virtuais, podemos nos apresentar como personagens com as características que gostaríamos de ter, o que muitas vezes está bem distante do que realmente somos; relacionamentos românticos são mais fáceis de “construir” do que os vínculos reais e adquirem cores mais vivas que alimentam as paixões.

Como acontece com as demais compulsões, é necessário buscar tratamento especializado. Mas o melhor é prevenir: criar meios para que o uso do computador permaneça na área do entretenimento e da pesquisa, como ferramenta útil de trabalho e de contatos. Para isso, é essencial fazer acordos razoáveis quanto ao tempo de uso, colocar o computador em uma área comum da casa (e não no quarto da criança ou adolescente), procurar saber mais sobre o que os filhos estão fazendo no ciberespaço, ver o que pode melhorar no convívio familiar e social.

Imagem de capa: Shutterstock/GaudiLab

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Maria Tereza Maldonado
É Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-RIO, onde lecionou no Departamento de Psicologia. É membro da ABRATEF (Associação Brasileira de Terapia Familiar).Tem mais de 40 livros publicados sobre relações familiares, desenvolvimento pessoal e construção da paz, com mais de um milhão de exemplares vendidos.

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