É difícil explicar as razões que nos fazem simpatizar de cara com alguém. É difícil encontrar motivos que justifiquem a alegria espontânea que sentimos quando estamos perto dessa pessoa ou a falta absurda que ela nos faz, mesmo que a tenhamos conhecido há tão pouco tempo.

Mas acontece. Algumas pessoas cruzam nosso caminho e a conexão é imediata. Dizem que as almas já se conheciam e por isso não são necessárias apresentações, explicações, conclusões. A gente apenas sente, e ponto. Com elas ficamos à vontade, sentimos familiaridade, temos vontade de descalçar os sapatos, abrir uma garrafa de vinho e passar o resto do dia, da semana, do ano… falando da vida, rindo à toa e confessando segredos sem receio do choro vir à tona.

Quando há conexão de almas, a gente se reconhece no olhar. Antes mesmo das apresentações, sentimos proximidade. E por mais que faltem explicações, sobram semelhanças e sincronicidade. É como se o Universo conspirasse a favor, e os caminhos estivessem fadados a se cruzar.

Algumas coisas são inexplicáveis nessa vida, e a conexão imediata que sentimos perto de algumas pessoas é assim também. Nem sempre a pessoa é a mais bonita, mas nos atrai de maneira inexplicável e intensa. Ela sorri e você tem vontade de sorrir também; você abre a boca para falar algo, ela interrompe com aquilo que você estava prestes a dizer; você pensa nela, ela te manda uma mensagem no whatsapp; você perde o sono e descobre que na mesma noite ela sonhou com você.

Conexão é algo inexplicável, que faz com que você se veja refletido no outro de uma maneira que faz você gostar mais de si mesmo. Não há censura, julgamento ou condenação. Você é acolhido e aceito como é, e aquilo que parecia tão difícil ou complicado, vai ficando mais leve e fácil de carregar.

De vez em quando conhecemos alguém e temos a sensação de que já o conhecíamos anteriormente. O psicanalista Christian Dunker explica essa familiaridade ou “conexão de almas” dizendo que o indivíduo tem algumas lacunas, repressões ou resistências dentro de si. É como se a pessoa olhasse algo, mas não enxergasse. Ouvisse algo, mas não escutasse. Até que aparece uma outra pessoa que faz a integração. Essa pessoa entra na nossa vida reunindo traços de percepção ou traços de desejo que estavam em pendência. Assim, a sensação é de que já o conhecíamos, mas na verdade o que ocorreu foi que essa pessoa trouxe algo que nos fez entrar em contato com nossas lacunas e desaceitações, com aquilo que precisávamos lidar em algum momento ou outro da vida, e de repente tudo faz sentido.

Entendendo ou não de psicanálise, o fato é que gostaríamos de acreditar que seria possível passar um dia inteiro ao lado de alguém que acabamos de conhecer num trem – como no filme “Antes do Amanhecer” – e encontrar no outro o tipo de afinidade que estivemos buscando a vida toda. O filme fez tanto sucesso na década de noventa que virou uma trilogia (se não assistiram, corram para ver). A trilogia gravada entre os anos de 1995 e 2013 (com o mesmo elenco), fala desse tipo de conexão rara, que pode nascer de um encontro casual e durar uma vida inteira.

Acredito que isso seja possível sim. O encantamento, a simpatia gratuita e a conexão imediata que sentimos ao lado de algumas pessoas nos fazem acreditar que nem tudo tem explicação lógica, e que nossa alma tem mais mistérios do que podemos supor ou entender. Sinta-se abençoado se alguma vez conseguiu sentir. Sinta-se privilegiado se a outra pessoa sentiu o mesmo que você. Conexões de pele são passageiras. Conexões de alma duram a vida inteira.

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.