Para Elke Van Hoof, professora de psicologia da saúde na Universidade de Vrije, em Bruxelas, e especialista em estresse e trauma, o confinamento na pandemia pode ser encarado como o maior experimento psicológico da história.

Em entrevista recente à BBC, a especialista discorreu sobre várias implicações da situação atípica em que estamos vivendo desde que a pandemia de coronavírus se tornou uma ameaça global e obrigou boa parte do mundo a decretar isolamento social. Segundo Van Hook, a pandemia está nos proporcionando alguns ensinamentos.

“Primeiro, [aprendemos] que somos resilientes, ou seja, a maioria de nós conseguiu se reinventar e recriar nossas vidas da melhor maneira possível durante a quarentena. Temos forças para nos tornar a melhor versão de nós mesmos, independentemente da situação difícil em que nos encontramos. Segundo, temos as habilidades e o treinamento para melhorar ainda mais, porque podemos treinar as pessoas para terem resiliência.”

A especialista também falou sobre as possíveis consequências psicológicas da situação atípica em que estamos vivendo.

“A primeira [consequência] pode ser a pessoa ter a sensação de estar sobrecarregada, não ser capaz de lidar [com obrigações], ter problemas para dormir, ficar mais irritada… Se você não tiver uma estrutura familiar, tudo se torna bastante solitário. Muitas pessoas estão em quarentena há mais de dois meses, apenas com o contato social de ir ao supermercado ou conectar-se online em uma reunião ou encontro social. Então, os sentimentos de solidão aumentaram muito.

Com pessoas vulneráveis ​​é outra coisa. Existe um alto risco de que suas condições tenham progredido ou de que terão de enfrentar desafios adicionais. Falo de abuso de substâncias, vítimas de abuso físico ou de abuso de poder. Veremos quais são as consequências em alguns meses.

Os números variam em todo o mundo, mas existe o risco de a violência aumentar em casa. Esse não é um sinal bom, pois indica que a quarentena tem um efeito severo nas pessoas.”

Elke Van Hoof falou ainda sobre por que considera o confinamento a quarentena é o maior experimento psicológico da história.

“Não sabemos como as pessoas vão reagir. O surto de Ebola, foi local, em menor escala e apenas em alguns países.

Agora, temos empresas que tiveram que fechar e um terço do mundo está confinado. Portanto, não temos um modelo, não sabemos o que vai acontecer. E isso para mim é a definição de um experimento.”

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de BBC.
Foto destacada: Reprodução.

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