“Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem!”

A frase acima é excelente para demonstrar como as pessoas se comportam frente a assuntos esotéricos. Se perguntarmos para as pessoas, por exemplo, se elas acreditam em horóscopo, a maioria das respostas talvez seja negativa ou traga dúvidas. Entretanto, sempre que uma previsão aparece em algum veículo de comunicação, na dúvida, quase todo mundo gosta de ler seu conteúdo “só para saber”.

Ressalvo, desde já, que não colocarei em crédito pessoas que estudam os astros de maneira séria. Atenho-me, aqui, aquele tipo de previsão astrológica que aparece diariamente na timeline das pessoas em suas redes sociais, jornais, tv e revistas. Meu enfoque é no trabalho que sabemos que é feito prioritariamente como fonte de entretenimento e onde não existe cientificidade.

Dito isso, separei 3 pontos que explicam, do ponto de vista psicológico, a razão pela qual as pessoas leem signos reiteradamente: o amor dos signos, o lado negro dos signos, a missão dos signos, o sonho secreto de cada signo e assim por diante (a criatividade é infinita).

Vamos lá:

1- Os horóscopos trazem uma previsão de futuro que, mesmo a curto prazo, promove um alívio com relação a imprevisibilidade da vida.

Nós não estamos seguros em nada do que fazemos. Hoje temos casa, comida e emprego, mas amanhã isso pode mudar. O que nos mantém no caminho, muitas vezes, é uma ilusão de estabilidade. Entretanto, quando falamos em futuro, salvo em uma ou outra perspectiva ou planejamento que possamos ter, nós não sabemos de quase nada. Torna-se, então, confortável abrir um jornal onde o meu signo (baseado no dia, hora e ano em que eu nasci), define minhas características pessoais e futuro próximo. Esse encontro com respostas, no mínimo, gera uma sensação gostosa de ler algo que fala de mim e que sabe mais a meu respeito do que eu mesma. Logo, acarreta uma sensação de segurança e conforto de que as coisas são previsíveis- e esse é o primeiro ponto que nos fisga.

2- Os arquétipos de cada signo emprestam uma identidade, elogiam possíveis qualidades e são  desculpas para características não tão nobres que a pessoa possa ter.

Se eu leio que sou impulsiva porque meu signo é impulsivo, que sou metódica, ciumenta, possessiva ou extrovertida porque nasci em tal data isso justifica características que eu posso ter, ou não. Afinal, também temos que levar em conta o ascendente, né. Mas o que eu quero dizer é que, se eu encontro na leitura características que são compatíveis e as reconheço como provenientes do destino, isso pode tanto emprestar uma identidade que não é a minha (onde eu me encaixo só para fechar o perfil) como também pode justificar características que eu poderia tentar trabalhar ao invés de apenas justificar como causa-efeito. E essa é a segunda isca porque nos leva a Síndrome de Gabriela “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou morrer assim, Gabriela”.

3- Os horóscopos emprestam vontade e decisão às pessoas, tirando delas, ou ao menos diminuindo, sua responsabilidade frente a algumas atitudes.

Esse é o mesmo problema dos gurus onde alguém de fora, um ser iluminado, vem e traz as respostas prontas e as fornece a um alguém ignorante e passivo que deve aceitar a luz de sua sabedoria. Embora seja possível que existam pessoas diferenciadas e capazes de transcender, o que mais vemos são oportunistas que se aproveitam da credulidade de seus seguidores. Por exemplo, se uma pessoa é religiosa e diz que está tudo na mão de Deus, logo ela deixa de se responsabilizar pelo que faz (por favor leiam com isso como crítica construtiva). Da mesma forma, o horóscopo que diz a cor que devo usar, o dia que devo sair, ou que uma amizade me trairá também induzem a ações, alteram percepções e diminuem o livre arbítrio de quem as escuta. E, acreditem, quem lê acredita mais no que lê do que pensa que acredita. Exemplo, leia que alguém conhecido poderá se acidentar e você terá dois ou três dias de tortura mental tentando evitar esse pensamento ou mesmo com medo de que todas as pessoas que ama possam morrer ou sofrer um grave acidente. E eis a terceira isca que nos induz.

Ou seja, redução de ansiedade com relação ao imprevisto, a loteria de talvez ouvir algo que agrade, a definição do “quem sou” vindo de um terceiro, ou mesmo a orientação quanto a algo que me retira a responsabilidade são todos aspectos que estão longe de ser tão inocentes quanto aparentam numa simples leitura da previsão do dia.

Estejam atentos para não serem seduzidos por essas armadilhas mentais propagadores dos signos que são divulgados pela mídia e, se vocês acreditam, sigam fontes de pessoas realmente sérias em seus estudos.

Fica a dica 😉

Imagem de capa: Shutterstock/Photosani

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Josie Conti
É idealizadora e administradora do site CONTI outra. Psicóloga formada há 16 anos, teve sua trajetória profissional passando por diversas áreas de formação e atuação como educação, clínica, recursos humanos e saúde do trabalhador. Hoje, utiliza o conhecimento adquirido para seleção de pessoal e de material adequado aos sites com que trabalha. Realiza vídeos, palestras, entrevistas, tem um programa diário na rádio 94.7 FM de Socorro e escreve para diversos canais digitais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Atualmente possui mais de 10 milhões de usuários fidelizados entre seus seguidores diretos e seguidores dos sites clientes. Em 2017, foi convidada para falar sobre conteúdo de qualidade no evento “Afiliados Brasil” de São Paulo, à convite da Uol, pois o CONTI outra foi considerado um dos melhores sites de conteúdo ligados a empresa.

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