A revolução digital causada pelos smartphones trouxe com ela a ascensão das redes sociais. Hoje, muitos de nós, consciente ou inconscientemente, pautamos nosso comportamento de acordo com o conteúdo que consumimos no Facebook, no Instagram, no Twitter ou no TikTok. E se para os adultos já é um desafio colocar um limite nesse poder de influência, para crianças e adolescentes esse limite simplesmente não existe. Cabe então a pais e responsáveis a tarefa de se manterem atentos a qualquer sinal de emergência para saber quando é o momento certo de intervir.

Professores, que tem contato direto com os alunos em sala de aula, podem ser valiosos aliados nessa tarefa de vigiar o comportamento das crianças e dos adolescentes. E foram justamente esses profissionais os responsáveis por chamar atenção para um novo perigo à vista. Trata-se de uma nova moda lançada nas redes sociais, a “trend do corretivo”, em que os estudantes usam o pó corretivo líquido para simular a produção e venda de drogas.

São centenas de vídeos desse tipo no Tik Tok. Em muitos deles, alunos aparecem mostrando o passo a passo da “produção do pó”.

Um dos intuitos do desafio é não ser flagrado pelos professores em sala de aula.

Mas o desafio que se popularizou no TikTok nos últimos dias vai além da produção do pó. Muitos estudantes tem inclusive inalado o produto.

Nos comentários de um post da ‘trend do corretivo’, um estudante escreveu: “Eu não entendo esse negócio”, no que outra aluna respondeu: “É que na série Euphoria isso é considerado uma droga”.

Euphoria é uma série de TV norte-americana transmitida originalmente pela HBO.  A história acompanha um grupo de estudantes do ensino médio que vivem experiências com drogas, trauma e redes sociais. Apesar de classificação etária +18, a produção se tornou extremamente popular entre os adolescentes

“Esse negócio do corretivo também tão vendendo lá na aula por 2 conto [reais] o pacote”, disse um estudante nas redes sociais. “Eu cheirei na frente do meu professor e ele riu de mim”, contou outro.

O problema já chegou até as salas de aulas das crianças menores. Em entrevista à CRESCER, a mãe de um menino de 11 anos disse que o desafio já foi visto na escola do filho. “A gente teve uma reunião de todos os sextos anos essa semana, e um pai comentou sobre um vídeo dos alunos fazendo o pó de corretivo, imitando aquela cena horrenda de utilização de drogas. Foi assim que fiquei sabendo que já estava na escola. Conversei com meu filho, expliquei que era algo que fazia muito mal, que se tratava de uma brincadeira sem graça e ele não deveria cair na onda de todo mundo”, disse a mãe, que prefere não ter a identidade revelada.

“Segundo a diretora, os alunos estão vidrados no Tik Tok. Ela disse que se os pais querem fazer algo pelos filhos, que proíbam o uso do aplicativo. Alguns acharam um absurdo falar em proibição, outros concordaram. Mas o fato é que as coisas estão caminhando para um lado muito errado. Eu tenho muito medo, sim, justamente dessa curiosidade. É uma idade que temos que estar de olho e, infelizmente, alguns amigos acabam induzindo os outros a entrarem na onda, caso contrário, acaba criando aquela situação de bullying e de exclusão”, refletiu.

O otorrinolaringologista Manoel de Nóbrega, secretário do Departamento de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), explica que na composição, o corretivo líquido possui dióxido de titânio, que é o que dá a coloração branca; o etanol, que funciona como solvente e faz a secagem rápida; os polímeros, que dão a consistência; e os dispersantes, para manter a mistura uniforme. “Então, o ‘branquinho’, quando inalado pelo nariz, causa irritação na mucosa, sensação de incômodo, dor e queimação. Pode causar ainda sangramento e, inclusive, até lesão no bulbo olfatório, que são as células responsáveis pelo olfato, levando a perda temporária ou mesmo permanente do olfato e, consequentemente, do paladar. Ainda há a possibilidade de causar ou exacerbar os quadros de rinite alérgica e, eventualmente, dependendo da quantidade, uma intoxicação. O nariz é muito efetivo em filtrar partículas, mas quando é inalada uma quantidade significativa de uma substância, a mesma pode chegar ao pulmão, causando uma pneomonia”, alertou.

Através da assessoria de imprensa, o Tik Tok se pronunciou sobre o assunto: “O TikTok está comprometido com a segurança da nossa comunidade e removemos conteúdos e contas que violem nossas Diretrizes da Comunidade”, disseram.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Crescer.
Imagens: Reprodução.

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