Que pai ou mãe não gostaria que seu filho crescesse para ser gentil, atencioso, bem-sucedido e feliz? Mas é possível realmente fazer nossos filhos felizes? É possível forçá-los a serem genuinamente gentis? Não. Realmente não podemos fazer nossos filhos fazerem nada. Podemos beijá-los, amá-los, abraçá-los e entregá-los. Podemos inscrevê-los em inúmeras atividades, planejar encontros e férias, dar-lhes aulas de música, aulas de mandarim, ginástica, futebol e balé, e fazer o possível para levá-los às melhores escolas. Mas pense por um momento – é realmente a “felicidade” o que estamos procurando?

O impulso que temos como pais de nos lançarmos em ajudar os pequenos a conquistarem a sonhada felicidade na maioria dos casos começa cedo, enquanto eles ainda são bebês. Assim, nossos bebezinhos são autorizados a chorar, cuspir e acordar durante a noite, até que tenham cerca de um ano e dez meses. Mas quando completam 2 anos, de repente, é como se da noite para o dia, tivéssemos um novo conjunto de regras para eles: instituímos que eles devem compartilhar coisas, ouvir, seguir regras e “serem legais”. Da mesma maneira que mudamos nossas expectativas em relação aos nossos bebês que já não são mais como antes, as crianças também mudam. Mudam porque estão buscando se agarrar a sua própria identidade. Pais costumam pensar que estão oferecendo o melhor para seus filhos, quando se colocam no caminho dos pequenos justamente quando esses estão experienciando coisas que os ajudarão a se tornarem mais resilientes, empáticos e maduros. Na verdade, tudo o que os pais estão fazendo, nesse contexto, é bloquear o desenvolvimento maturacional da criança. Quando, involuntariamente ou não, ignoramos isso, tentamos moldar nossos filhos e seu comportamento de acordo com algumas expectativas preconcebidas que temos sobre quem eles são e quem pensamos que deveriam ser, rotulando-os e, de alguma forma, sufocando-os para que deem lugar a nossa idealização.

Como forma de fazer essa criança atender às demandas da idealização dos pais e de seu desejo, eles começam a corrigi-la demais, criticá-la ou simplesmente tentam podá-la. Como adultos, vemos o comportamento errático de nossas crianças como algo que precisa ser controlado, porque elas parecem tão descontroladas, o que, do ponto de vista de adultos, realmente pode ser verdade. É aí que tendemos a recorrer a generalizações sobre os “dois terríveis” anos. Quando agimos dessa forma, podemos inadvertidamente sabotar o desenvolvimento de nossos filhos, afastar sua capacidade de entender a si mesmos, de explorar o mundo de uma maneira que faça sentido para eles e incentive sua curiosidade. Truncamos a motivação deles para aprender. Tiramos a confiança deles para criar relacionamentos e, o mais importante de tudo, interrompemos a capacidade de desenvolver as habilidades emocionais necessárias para que eles tenham sucesso na escola e na vida. Entendendo sucesso como a capacidade que uma pessoa tem, de maneira confiante, explorar o mundo ao seu redor com entusiasmo e curiosidade, sem medo de cometer erros; sentindo-se segura o suficiente para começar e de se recompor diante de uma decepção.

Então, o que os pais podem fazer para interagir melhor com os filhos sobretudo a partir dos dois anos? Eles podem:

1. Ouvir os filhos em vez de apenas conversar e direcioná-los.
2. Dar a eles liberdade para brincar e explorar o mundo de forma mais autônoma.
3. Permitir aos filhos a oportunidade de se esforçar para realizar algo e falhar.
4. Trabalhar para entender quem é cada criança e o que ela precisa em uma determinada idade.
5. Dar aos filhos limites e orientação.

Essas ações simples dão a qualquer criança uma base sólida para crescer durante um período em que está apenas começando a testar e entender a si mesma em relação aos outros, a responder e a gerenciar seus sentimentos complicados. Ao interagirmos com os nossos filhos dessa forma, temos só a ganhar. Primeiro, conseguiremos escolher melhor nossas batalhas, porque seremos capazes de visualizar de maneira mais clara o que o nosso filho realmente precisa em determinado momento. Além disso, poderemos nos tornar flexíveis o suficiente para oferecer às crianças opções e, ao mesmo tempo, o suporte e o limite de que necessitam.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Crescer.

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