Ainda adolescente, a paulistana Mellina Hernandes Reis teve o diagnóstico de uma deficiência visual, mas isso não impediu que ela seguisse a sua maior paixão: Viajar. Hoje, aos 35 anos, e com apenas 3% de visão, ela desbrava o mundo ao lado de uma companheira muito especial, a sua cadela-guia Hilary.

Foi aos 14 anos que Melina descobriu a distrofia de cones e bastonetes, o que a levou à perda da visão central (responsável pelo foco). No fim de 2010, ao perceber uma piora do quadro, foi identificada a catarata. No ano seguinte, teve início o processo de perda severa da vista.

“Hoje, tenho em torno de 3% de visão. A claridade me incomoda bastante, principalmente em dias muito claros. Enxergo somente um esbranquiçado. À noite, acabo enxergando um pouco melhor, mas nunca com nitidez. Um exemplo um pouco mais próximo é quando tomamos banho muito quente e o espelho fica embaçado. Ao nos olharmos, só vemos um borrão. É mais ou menos como eu vejo”, contou Mellina ao blog Universa.

A cadela Hilary entrou na vida de Mellina em 2014, quando ela foi contemplada pelo projeto Cão-Guia, do Sesi São Paulo, em parceria com o Instituto Iris. A labradora, hoje com oito anos, literalmente mudou sua vida, dando a ela mais independência e elevando sua autoestima.

“Antes, eu usava bengala e não tinha coragem de fazer caminhos desconhecidos. Percorria somente o necessário: trabalho-casa-trabalho-faculdade. Quando ia para algum lugar novo, preferia que alguém fosse junto na primeira vez para eu aprender o percurso”, lembra-se ela, turismóloga por formação.

A chegada de Hilary trouxe a Mellina a confiança para encarar trajetos diferentes, e a certeza de que dificilmente passará por problemas – machucar-se, por exemplo. A cadela-guia permitiu que Mellina recuperasse a autonomia a que estava acostumada antes da redução drástica de visão.

“Normalmente, faço tudo com ela: cuido da casa, cozinho, vou à aula de pole dance e a levo à natação. Normalmente, só aos finais de semana ganho a companhia de família e namorado”, comenta.

Hilary também ajudou Mellina a se sentir mais segura para encarar viagens sem a companhia de outras pessoas. “Quando comecei a perder a visão, pensei que não conseguiria mais viajar sozinha. Hoje sei que isso é totalmente possível e consigo aproveitar muito, mesmo tendo algumas dificuldades”, garante.

Hilary e Mellina já estiveram em vários lugares do Brasil. Curitiba inaugurou o itinerário da dupla, quatro anos atrás. Como foi a primeira viagem de Mellina e Hilary sozinhas, rolou um receio –no primeiro dia, pouco se afastaram do hotel. Mas, na manhã seguinte, aproveitaram bem o passeio. As duas já visitaram Florianópolis, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte, entre outras cidades brasileiras. Inclusive curtiram o Carnaval na mineira Muzambinho.

Viagens internacionais também entraram no roteiro delas, porém, com familiares, amigos ou com o namorado de Mellina como acompanhantes. “Ainda não tive coragem de fazer viagem internacional só com ela, mas está nos planos”, adianta.

“Quando a gente enxerga, se acostuma a ficar muito preso na visão e apreciar só a beleza, só a parte visual. Mas tem muito mais do que isso. Eu aproveito a energia do lugar, o contato com as pessoas, a culinária, os sons, os cheiros, o mar. Hoje também aproveito a Hilary e a felicidade dela. Acho que precisamos aprender a apreciar mais as pequenas coisas”, pontua.

Para Mellina, as viagens são sempre enriquecedoras, e ela diz que aprende muito –a ter mais empatia, por exemplo. “Ninguém é igual a ninguém, assim como a cultura de cada região é diferente de outra, e precisamos saber respeitar essa variedade. Aprendo sobre histórias, novas culturas, culinária, conheço pessoas que marcam a minha história”, afirma ela, que se diz realizada.

Mellina garante que sempre volta transformada (para melhor) de cada viagem que faz. “Quando viajo sozinha, sei que estou impactando outras pessoas, pois quem me ajuda se impressiona com a minha história, principalmente por eu estar em um lugar diferente e sozinha. Conseguir fazer tudo me dá mais independência e sensação de liberdade. Eu me sinto satisfeita por não ter deixado o medo me impedir de fazer as coisas. Me sinto vitoriosa.”

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Destaques Psicologias do Brasil. Com informações de: Universa

Imagem destacada: Arquivo pessoal.

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