Na escola primária Des Cèdres, na cidade de Laval, no Canadá, mesas com pedal de bicicleta permitem que os alunos com transtorno de déficit de atenção pedalem nas aulas enquanto realizam suas tarefas.

É pelo menos o que afirma o ortopedólogo Mario Leroux, que foi quem originalmen te teve essa ideia. “Um dos maiores problemas nas escolas é o déficit de atenção. Há estudantes que sempre precisam se movimentar. Mas muitas vezes isso perturba as aulas. Então, eu comecei a procurar por algo que lhes permitisse render em sala de aula enquanto se movimentam, sem perturbar o grupo.

Sua pesquisa o levou a suportes para bicicletas, projetados por uma empresa norte- americana. Graças a uma doação, quatro bicicletas puderam ser compradas ao custo de US $ 1.000 cada (Cerca de R$ 4400,00).

As mesas com bicicletas foram instaladas por alguns dias nas aulas do terceiro ao quinto ano. Os alunos foram convidados a pedalar por cerca de quinze minutos por vez.

“Há pelo menos 10% dos estudantes que precisam se movimentar durante a aula, seja por déficit de atenção ou por outros motivos”, diz Leroux

Após alguns dias de testes, a professora Monique Rizk considera esta uma “ferramenta interessante” para seus alunos com hiperatividade. “Vale a pena em uma aula como a minha, onde há muitos garotos que precisam se movimentar constantemente”, diz ela.

Os alunos conseguem se concentrar muito melhor quando pedalam enquanto estudam, ela observou. “Um deles passava o dia em uma bicicleta de mesa!”, Disse a professora do quinto ano.

Melhora o foco

Por sua vez, a Dra. Annick Vincent, especialista em déficit de atenção, acredita que “será interessante ver os impactos de tal iniciativa”.

A professora Cristiane conseguiu ver que, com a chegada da carteira, o aluno Vitor conseguiu se desenvolver melhor dentro da sala de aula, podendo assim se manter concentrado por mais tempo. Vitor agora tem um rendimento melhor dentro da sala de aula e isso sem que fosse preciso recorrer a medicamentos.

“As crianças hiperativas se concentram melhor quando conseguem manter um certo nível de atividade motora. Apoiar os alunos com ferramentas adaptadas às suas necessidades é essencial”, diz ela.

O doutor em neurociência e psicoterapeuta Joël Monzée considera que essa é uma iniciativa “muito interessante”, que pode representar uma alternativa ao uso de medicamentos.

“Como o medicamento não cura, a criança permanece com o mesmo problema. São necessárias ferramentas para a criança aprender a gerenciar seu problema de atenção ”, diz ele.

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Traduzido por Destaques Psicologias do Brasil do original de Journal de Montreal.
Fotos: Reprodução.

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