A relação que a gente tem com o corpo é muito doida e doída, ne? Eu falo de mim porque é o que vivo, mas sei que também to falando um pouco de você.

A gente sempre é muito magra ou muito gorda. E o muito gorda é estar alguns kgs acima do que a capa de revista diz que você deveria estar. As mulheres realmente gordas nem são vistas como pessoas e a dor, a relação com o corpo e o acesso a qualquer coisa no mundo é algo que eu, aqui do meu cantinho privilegiado, nem imagino.

Mas eu sei que todas nós, um dia ou outro, não ficamos de bem com nosso corpo. É como se ele fosse um e a gente fosse outra. Tudo separado, tudo sem ligação. Tudo doendo: a alma e ele.

Pra gente, que passa na catraca e consegue sentar na cadeira do cinema – sentiu que o problema é pequeno? – essa sensação algumas vezes acontece nos momentos em que baixamos a guarda: um olhar julgador de um desconhecido, uma roupa que não fica bem, aquela tendência que você sabe que não vai ter coragem de usar, o sexo de luz acesa…

(é bom lembrar que mesmo sabendo que o problema é pequeno perto do que outras mulheres precisam lidar, ele ainda dói)

Mas, sabe, eu e meu corpo somos um só. Você e o seu também. A única maneira de contar minhas ideias pro mundo é usando o corpo a meu favor.

Fiquei pensando nisso porque ontem fui olhar umas roupas na promoção, peguei um monte e já estava sofrendo por saber que seria difícil elas ficarem em mim do jeito que eu imaginava, mas aí uma pessoa chamou meu nome. Eu virei e ela se apresentou, disse que me ouviu falar e isso mudou a vida dela.

Sei que aquele momento foi importante pra ela, mas ela nem imagina como foi importante pra mim. Eu lembrei que não preciso da roupa certa pra fazer o que melhor sei fazer no mundo e o que me é mais importante: tocar as pessoas.

Eu e você vamos ter dias merda em que achamos que nossos corpos não são bons o suficiente e vai ser difícil pra caramba levar pra prática o que vou te dizer agora: nessa hora, respira fundo e lembra de todas as coisas lindas que você já viveu e seu corpo, perfeito ou não, te permitiu viver.

A gente merece ser feliz e essa maluquice toda ao redor dos nossos corpos é só mais uma amarra que nos impede desse objetivo maravilhoso que todas nós temos.

Imagem de capa: Shutterstock/Blaj Gabriel

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*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Carol Patrocínio
Carol Patrocinio é jornalista, feminista, mãe que educa sem gênero e duas vezes (2015 e 2016) indicada como uma das mulheres inspiradoras pelo site Think Olga. É também co-fundadora da Comum. Facebook: https://www.facebook.com/carol.patrocinio Medium: https://medium.com/@carolpatrocinio Newsletter: http://eepurl.com/b1pyhr