Em recente participação em um programa da Rádio Jovem Pan, o psiquiatra forense Guido Palomba, traçou um perfil de alguns condenados por crimes de grande repercussão no Brasil. Um dos persoangens analisados foi o goleiro Bruno, condenado por tirar a vida de Eliza Samúdio e que tenta retomar a carreira após receber progressão de pena em julho de 2019.

Palomba, que escreveu livros sobre criminalidade e psicopatias, diz que um complicador no caso de Bruno é o fato de a profissão de jogador de futebol ser de grande exposição e inspirar torcedores e fãs. Por isso, os atletas devem ter um comportamento exemplar, incompatível com a prática criminosa.

“Calcule um indivíduo dessa natureza, que cometeu o crime que cometeu, ser ídolo de alguma coisa… Seja do time que for. Alguém vai aplaudi-lo se ele fizer uma defesa? Não. Ele não pode ser um ídolo”, afirmou o psiquiatra.

De acordo com ele, a legislação no país, que permite progressões de pena, traz para a sociedade um sentimento de impunidade, o que dificulta a ressocialização de condenados como Bruno: “A lei brasileira é estelionatária. A mesma lei que condena também absolve […] As benesses de condenados saírem da cadeia por bom comportamento é um absurdo. Bom comportamento é dever do preso.”.

Suzane von Richtofhen

O psiquiatra ainda comentou o caso de Suzane von Richthofen, que foi condenada por ser a mentora da ação criminosa que tirou a vida dos pais, Manfred e Marisia. Para ele, Suzane encaixa-se na categoria de “condutopata”, ou seja, pessoas que, aparentemente vivem de forma normal, mas que possuem condutas sem valores morais.

“Ela, durante o julgamento, não chorou, ficou inexpressiva. O único momento que chorou foi quando o juiz proferiu a sentença. É um comportamento egoísta, uma das características do condutopata”, analisou o psiquiatra, ao frisar que a condenada é “uma extraordinária manipuladora de circunstâncias”.

Psicopatia tem cura?

De acordo com o especialista, pessoas que possuem algum grau de psicopatia, em geral, não podem ser curadas. Mesmo com a grande disponibilidade de tratamentos e remédios, a predisposição a comportamentos criminosos acaba sobressaindo.

“Eles nascem com essa propensão a cometer crimes. Assim eles são e assim vão morrer. Por isso não tem tratamento. Não existe uma injeção, uma droga, uma abordagem terapêutica que dê sentimentos superiores para aquele que não os tem”, afirmou.

Essa impossibilidade de cura faz com que a ressocialização de psicopatas seja uma tarefa difícil. Citando o caso de Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco e morto em uma cadeia comum em 2016, Palomba afirmou que as análises que liberam os psicopatas a voltarem à sociedade normalmente são superficiais e podem causar outros crimes.

“Quando esses indivíduos retornam para a sociedade, eles não tardam a recomeçar a atividade criminosa. Só existem duas possibilidades quando isso acontece: ou volta a matar, ou morre […] Há pessoas que são incorrigíveis. Nascem com deformidades psiquiátricas e não tem jeito. Tem doenças clínicas, em qualquer especialidade médica, que são incuráveis, como alguns cânceres. E a psiquiatria é uma especialidade médica como outra qualquer”, explicou.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de UOL.
Foto destacada: Marcos Alves / Agência O Globo.

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