Em recente entrevista para a revista Quem, o apresentador Marcos Mion, de 42 anos, contou que tem passado por uma transformação como pai para conseguir preservar na adolescência e pré-adolescência a relação de amor, respeito e admiração que sempre teve com os filhos, Romeo, de 16 anos, Donatella, 12, e de Stefano, 11.

Mion defende que explicar os “nãos” é essencial para uma boa relação em família. Ele revelou que sempre se prepara antes de conversar com os filhos e sugere outras opções para suprir a falta de algo negado.

“Pai e mãe têm que colocar regras. Eu defendo muito pais saberem o que é certo para seus filhos. Vejo uma geração de pais com muito medo de falar ‘não’ porque querem ser amigos, querem que os amigos dos filhos achem que ele é o pai mais legal… Deixam falar palavrão, assistir a um filme que não pode… Me dá uma preguiça! Se você ganhar o prêmio do pai mais legal da escola, você não está sendo um bom educador. O amor é demonstrado no ‘não’. Claro que esse ‘não’ tem que vir com embasamento”, analisa.

Limites. Quando Dizer sim. Quando Dizer Não

Foto: Brunno Rangel/Quem

Limites: 100 questões para trabalhar o sim e o não de forma clara

Dentre as regras da família está a proibição dad redes sociais para as crianças até os 13 anos. A decisão foi tomada após Mion ver que os filhos estavam ficando muito focados em atualizar o perfil fechado que tinham no Instagram.

“A Donatella ganhou um celular quando ela fez dez anos por uma questão de segurança, quando começou a fazer ginástica no clube e precisava sair de casa sem a gente. O Stefano usa junto e ainda não tem um celular só dele. A família então sugeriu que eles abrissem um perfil para postar as fotos e assim eles poderiam acompanhar mais de perto o crescimento deles. Era uma conta fechada e só para familiares e poucos amigos. Tinha uns 10 seguidores. Isso durou menos de um ano. Quando vi o Stefano estava deixando de curtir uma viagem para um lugar lindo porque estava preocupado em postar foto, aquilo me deu um pânico”, relembra.

“Então, eu bloqueei isso 100%. Vi que ele estava sendo vítima do algoritmo. Neste dia, chamei os dois para conversar, expliquei como funcionava o algoritmo da rede social, que quer deixar eles constantemente conectados e que me fazia perder com isso o meu lugar de educador deles para eles passarem a ser educados pelo que uma máquina achava que eles iam querer. Expliquei o quanto isso poderia limitar o conhecimento que eles tinham do mundo porque o algoritmo que ia decidir o que eles veriam. Foi uma conversa muito embasada. Não teve choro e eles entenderam. A Donatella pegou o celular e entregou na minha mão. A gente entrou nas contas e bloqueou tudo. Acho que eles já têm muita coisa para lidar. Ainda mais eles, que são filhos de artistas. Não dá para eles estarem nas redes sociais com comentários abertos a ilusão, críticas, cancelamento, estrelato imediato… É muita loucura e sou radicalmente contra uma exposição deste tipo.”

Brunno Rangel/Quem

Mion ainda dividiu que cada filho exige um cuidado específico. Enquanto com Stefano ele ainda consegue decidir com mais autonomia a sua rotina, com Donatella ele tem aprendido a ceder, mas sem deixar de colocar regras, é claro.

“Ver na prática essa mudança da minha filha se transformando em adolescente, falando comigo de forma diferente, tendo desejos diferentes e se impondo de uma forma diferente, não é fácil. Alguns amigos até brincaram: ‘Está vendo? Quem mandou ficar empoderando a sua filha a vida inteira? Agora vai ter que lidar com isso’. O ‘não’ dela e o ‘eu não vou’ vêm muito embasado e firme. Minha filha é muito empoderada e preparada. Nunca imaginei que isso se voltaria contra mim em alguma situação, mas faz parte da paternidade saudável uma menina na idade dela, com 12 anos, começar a batalhar por seu próprio espaço, independência e entendimento como pessoa. O meu estilo de paternidade deixa de ser tão instintivo e baseado no amor acima desse plano, para manter o amor e incluir racionalidade. Pais de adolescentes têm que ser racionais, têm que saber negociar e ter uma série de habilidades sociais. Eles querem a independência, mas ao mesmo tempo ainda querem o colo e precisam de ‘nãos’”, explicou Mion.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Revista Quem.
Foto destacada: Reprodução.

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