Aqueles que sofrem de fobia experimentam um medo transbordante, que eles geralmente percebem como incontrolável, e que determina a maneira pela qual eles vivem a vida ou desenvolvem atividades que são significativas para eles.

Neste artigo, discutiremos a mastigofobia, um medo relativamente comum na infância e que demonstrou ter uma raiz muito profunda. Aqui falaremos sobre sua expressão clínica, as possíveis causas subjacentes e o tratamento psicológico atualmente disponível.

Como é expressa a mastigofobia?

A mastigofobia consiste em um medo generalizado, irracional e desproporcional de punição. É uma palavra composta da confluência de dois termos que vêm do grego: “mastigos” (que podem ser traduzidos como chicote ou flagelo) e “phobos” (que significaria medo ou aversão). É caracterizada por qualquer reação de pânico irracional no momento em que um corretivo é aplicado, e que exceda o que seria previsível.

Abaixo estão as formas que a mastigofobia pode assumir em nível clínico. Embora o mais comum seja que ocorram na infância, o medo pode ocasionalmente permanecer até a idade adulta.

Em geral, o medo é projetado para punições físicas e psicológicas e precipita uma reação fisiológica semelhante à de um ataque de pânico. Da mesma forma, a fobia se estende a punições positivas (produção de um estímulo aversivo) e negativas (retirada de algo que a criança considera agradável ou reforçadora). Ambas as estratégias de modificação de comportamento têm sido objeto de debate nos últimos anos.

1. Ansiedade orientada para situações de punição

Os sentimentos de ansiedade que emergem no contexto da mastigofobia, como resultado de punição ou antecipação à punição, são muito semelhantes aos descritos em outras fobias. Ao se verem diante de uma punição, ou possibilidade dela, pessoas com mastigofobia podem experimentar taquicardia, taquipnéia, sudorese, tremor, etc.

2. Medo de receber punição física

As crianças que sofrem de mastigofobia temem ser vítimas de punição física (chicotadas, por exemplo) como resultado de terem tido uma conduta considerada indesejável. Esse sentimento nem sempre tem uma base objetiva.

Esse fenômeno é comum em crianças adotadas por uma nova família após terem passado por experiências traumáticas de abuso físico com seus cuidadores anteriores. O estilo parental anterior facilitaria o aprendizado sobre a dinâmica da resolução de conflitos que se estenderia ao ambiente atual. É por isso que eles reagem com um choque enorme quando os pais adotivos os confrontam ou os corrigem por mau comportamento, mesmo que o façam de maneira apropriada.

As crianças com mastigofobia são muito sensíveis à expressão facial associada à raiva, uma emoção que muitas vezes antecipava o castigo físico que sofreram ao longo da vida. É um aprendizado forjado por um longo tempo, a partir do qual é possível prever um estímulo negativo e potencialmente perigoso. Ao longo dos anos, pode ser mantida uma vigilância desproporcional em relação a sinais não verbais hostis.

3. Medo de receber punição psicológica

Os castigos podem ser físicos e psicológicos. Neste último caso, comportamentos como desprezo, isolamento, ameaça, desaprovação injustificada ou insulto são incluídos. Aqueles que sofrem dessa fobia demonstram um medo transbordante durante qualquer interação em que essas trocas adversas possam ocorrer, desenvolvendo um comportamento que visa evitá-las a todo custo. Assim, eles podem assumir uma atitude que é muito complacente com os outros , mesmo que exista um claro abuso em seus relacionamentos.

Uma das situações que geram mais ansiedade para as pessoas que sofrem desse distúrbio são os silêncios resultantes de uma situação de conflito interpessoal. O fato de sentir-se ignorado é percebido como um ato punitivo de dimensões insuportáveis, antes do qual emergem intensas sensações corporais que podem progredir para um quadro agudo de hiperativação (como náusea, desconforto abdominal, taquicardia, taquipnéia etc.).

4. Antecipação de uma punição

As crianças com essa fobia têm a sensação de que podem ser punidas em qualquer lugar e por qualquer motivo. No momento em que estão conscientes de que fizeram algo repreensível, eles abrigam um intenso medo de serem descobertos, dada a possibilidade de que seus comportamentos sejam reprovados e eles sejam punidos por isso.

5. Reações desproporcionais a erros

As crianças que sofrem de mastigofobia estão sempre alertas a qualquer erro que possam cometer, de modo que, quando erram, podem experimentar altos níveis de ansiedade. Por esse motivo, eles investem esforços inacreditávies em muitas de suas atividades.

Essa expressão de mastigofobia é comum em crianças cujos pais optaram por estilos parentais autoritários, visando o reforço exclusivo de conquistas e a punição sistemática de qualquer desvio em relação a elas. Esse padrão forjaria um perfeccionismo doloroso que não busca a excelência, mas a prevenção de danos.

Por que a mastigofobia ocorre?

A mastigofobia é comum naquelas crianças que foram criadas com base no uso de punições para corrigir sistematicamente sua maneira de agir. É especialmente comum nos casos em que a aplicação delas foi excessiva, assumindo danos físicos ou privação de atividades necessárias para um desenvolvimento físico / emocional saudável (golpes, proibição permanente de compartilhar o tempo com os amigos, etc.).

Casos de crianças com mastigofobia que relatam um histórico sério de abuso e que vivem com medo constante de serem punidos por seus atos, não são incomuns. Através da investigação do seu passado, muitas vezes é possível detectar o ponto em que esse distúrbio foi articulado, o que geralmente está associado à deterioração da auto-estima e auto-avaliação, oprimidas pela crença de que é “indesejável e / ou inapropriado”. Também pode aparecer como resultado da observação de como punições severas foram aplicadas a outras pessoas (irmãos, colegas de classe etc.).

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Traduzido por Destaques Psicologias do Brasil, do original de Psicología y Mente.
Foto destacada: Reprodução.

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*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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