7 motivos pelos quais a terapia EMDR pode ser a melhor escolha para tratar um trauma

Conheça 7 motivos pelos quais a terapia EMDR pode ser uma boa escolha para tratar trauma, lembranças dolorosas e reações emocionais intensas.

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7 motivos pelos quais a terapia EMDR pode ser a melhor escolha para tratar um trauma

Algumas experiências terminam, mas continuam provocando reações no corpo e na mente. Uma lembrança pode despertar ansiedade, medo, culpa, vergonha, irritação ou uma sensação de perigo, mesmo quando a pessoa sabe racionalmente que está segura.

A terapia EMDR pode ser uma alternativa para quem percebe que acontecimentos difíceis do passado ainda interferem nos relacionamentos, na autoestima, no sono ou na rotina. Trata-se de uma abordagem psicoterapêutica estruturada, voltada principalmente ao processamento de experiências traumáticas e emocionalmente perturbadoras.

A sigla EMDR vem do inglês Eye Movement Desensitization and Reprocessing, traduzido como Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares.

Durante o tratamento, o paciente acessa determinadas lembranças com o acompanhamento do terapeuta enquanto recebe estímulos bilaterais, que podem envolver movimentos oculares, sons alternados ou leves toques. O objetivo não é apagar o que aconteceu, mas reduzir o impacto emocional associado à memória.

Veja alguns motivos pelos quais a abordagem EMDR pode ser uma boa escolha para você.

1. O EMDR trabalha diretamente com as lembranças relacionadas ao trauma

Em algumas terapias, o tratamento começa pela análise dos pensamentos e comportamentos atuais. No EMDR, também se busca identificar experiências anteriores que possam estar relacionadas aos sintomas apresentados no presente.

Uma pessoa que sente medo intenso de rejeição, por exemplo, pode carregar lembranças de abandono, humilhação, negligência ou exclusão. Mesmo que esses acontecimentos tenham ocorrido há muitos anos, eles podem continuar influenciando suas respostas emocionais.

O trabalho terapêutico procura reprocessar essas memórias para que elas sejam compreendidas como acontecimentos do passado, e não como perigos que continuam acontecendo.

Segundo a psicóloga Josie Conti, especialista em EMDR e trauma, “o objetivo do tratamento não é fazer a pessoa esquecer o que viveu, mas ajudá-la a recordar a experiência sem continuar sentindo que o perigo ainda está presente”.

A Organização Mundial da Saúde inclui o EMDR entre as intervenções psicológicas recomendadas para o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático.

2. Você não precisa contar todos os detalhes da experiência

Falar sobre um acontecimento traumático pode ser difícil, principalmente quando ele envolve violência, perdas, humilhações ou situações que despertam culpa e vergonha.

No EMDR, o paciente não precisa necessariamente narrar cada detalhe da experiência. Ele pode indicar qual memória deseja trabalhar e compartilhar apenas as informações necessárias para que o terapeuta conduza o processo com segurança.

Isso não significa que não haverá diálogo. A comunicação continua sendo importante, mas o tratamento não depende de uma descrição longa ou minuciosa do que aconteceu.

Essa característica pode ajudar pessoas que evitam buscar terapia por receio de precisar reviver verbalmente toda a experiência.

3. É uma abordagem organizada em etapas

O EMDR não consiste apenas em acompanhar movimentos com os olhos. O protocolo completo é estruturado em oito fases, que incluem levantamento da história, planejamento do tratamento, preparação emocional, avaliação da memória, dessensibilização, instalação de crenças mais adaptativas, observação das sensações corporais, encerramento e reavaliação.

Antes de trabalhar diretamente com uma lembrança difícil, o terapeuta deve avaliar se o paciente possui estabilidade emocional e recursos suficientes para lidar com o processo.

Também podem ser ensinadas estratégias de regulação emocional, respiração e estabilização. Essas etapas ajudam o paciente a compreender o que está acontecendo e a participar ativamente do tratamento.

4. O EMDR considera pensamentos, emoções e reações físicas

Um trauma pode ser lembrado por meio de imagens, frases, sensações corporais ou emoções intensas. Algumas pessoas sentem o coração acelerar, o corpo ficar rígido ou a respiração mudar diante de situações que lembram o acontecimento original.

Por isso, o EMDR não trabalha somente com aquilo que a pessoa pensa sobre a experiência. Durante as sessões, também podem ser observados:

  • as imagens associadas à memória;
  • os pensamentos negativos sobre si mesmo;
  • as emoções despertadas;
  • o nível de desconforto;
  • as sensações percebidas no corpo.

Essa integração pode ser relevante quando a pessoa entende racionalmente que o perigo passou, mas continua reagindo fisicamente como se ainda estivesse ameaçada.

5. A terapia pode ajudar a modificar crenças negativas

Experiências traumáticas podem contribuir para o desenvolvimento de crenças como:

  • “Eu não sou bom o suficiente”;
  • “A culpa foi minha”;
  • “Não posso confiar em ninguém”;
  • “Estou em perigo”;
  • “Não tenho controle”;
  • “Não mereço ser amado”.

O EMDR procura reduzir a força dessas interpretações e favorecer a construção de percepções mais adequadas ao presente.

Depois do reprocessamento, a pessoa pode continuar lembrando do acontecimento, mas passar a reconhecê-lo por outra perspectiva. Em vez de pensar “eu fui fraco”, por exemplo, pode compreender que fez o possível diante das condições que tinha naquele momento.

6. O EMDR pode ser usado em diferentes experiências perturbadoras

A abordagem tornou-se conhecida principalmente por sua aplicação em traumas e no transtorno de estresse pós-traumático. Entretanto, profissionais capacitados também podem utilizá-la em situações relacionadas a:

  • acidentes;
  • luto;
  • violência;
  • abandono;
  • bullying;
  • rejeição;
  • experiências médicas difíceis;
  • desastres;
  • perdas importantes;
  • episódios de humilhação;
  • lembranças que desencadeiam ansiedade;
  • experiências negativas da infância.

A indicação depende da avaliação clínica. Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes, e nem todas as pessoas precisam do mesmo protocolo ou do mesmo ritmo de tratamento.

7. O tratamento é adaptado à história e ao ritmo do paciente

Não existe um número único de sessões de EMDR que funcione para todos. Uma experiência pontual pode exigir um planejamento diferente daquele utilizado em casos de traumas repetidos, ocorridos durante vários anos.

O tempo de tratamento pode variar conforme fatores como:

  • quantidade de lembranças relacionadas ao problema;
  • intensidade dos sintomas;
  • idade em que as experiências aconteceram;
  • condições emocionais atuais;
  • presença de uma rede de apoio;
  • capacidade de regulação emocional;
  • existência de outros transtornos psicológicos.

Uma sessão de EMDR costuma durar entre 60 e 90 minutos, mas uma lembrança pode exigir uma ou várias sessões para ser processada.

Respeitar o ritmo do paciente é especialmente importante em casos de trauma complexo, dissociação ou histórico prolongado de violência e negligência.

Como saber se o EMDR é indicado para você?

A abordagem pode ser considerada quando uma lembrança ou experiência passada continua provocando sofrimento no presente. Alguns sinais que podem justificar uma avaliação profissional incluem:

  • lembranças invasivas;
  • pesadelos frequentes;
  • medo desproporcional;
  • ansiedade diante de determinados estímulos;
  • sentimento persistente de culpa ou vergonha;
  • dificuldade para confiar nas pessoas;
  • comportamentos de evitação;
  • reações físicas intensas;
  • sensação de estar sempre em alerta;
  • dificuldade para superar uma perda ou experiência dolorosa.

Esses sintomas não confirmam, por si só, a existência de um trauma ou de um transtorno específico. A avaliação de um psicólogo ou psiquiatra é necessária para compreender o caso e definir a abordagem mais adequada.

Como escolher um terapeuta de EMDR?

Procure um psicólogo habilitado para exercer a profissão e que tenha formação específica em EMDR. Durante o primeiro contato, você pode perguntar sobre a capacitação do profissional, a experiência com casos semelhantes ao seu e a forma como o tratamento será organizado.

Um atendimento responsável deve incluir avaliação clínica, preparação emocional e explicações claras sobre o processo. O paciente também deve ter espaço para comunicar desconfortos, fazer perguntas e interromper um exercício quando necessário.

O EMDR pode ser uma boa escolha quando há indicação clínica e quando o tratamento é conduzido por um profissional devidamente capacitado. A proposta não é eliminar o passado, mas ajudar a pessoa a lembrar do que viveu sem continuar reagindo com a mesma intensidade emocional.