‘Nem todos os esquizofrênicos são agressivos e devem ser internados’, diz psiquiatra

Cerca de 1% da população mundial sofre de esquizofrenia. O distúrbio não tem cura, mas pode ser controlado através de medicações e, a grande maioria dos doentes, não apresenta surtos agressivos.

Para Ismael Sobrinho, médico psiquiatra especialista em psiquiatria e psicogeriatria, o surto pscótico em geral é decorrente da esquizofrenia. “Existem algumas características do surto. Uma delas é o que chamamos de delírio, que é um juízo falso da realidade, pode ser de perseguição ou de grandeza. Há também a alucinação, que é quando o paciente pode escutar vozes, ver vultos. Muitas vezes, nas alucinações auditivas, ele pode ter uma voz de comando, produzida pelo cérebro dele, que pode ser o gatilho para que tome alguma atitude agressiva”, detalha o especialista.

O médico explica ainda que, mesmo que o esquizofrênico esteja sendo medicado, os surtos podem acontecer. Porém, os remédios reduzem significativamente o risco do quadro. “A maioria dos pacientes com esquizofrenia, tratados, consegue viver em família, em sociedade, sem necessidade de internação. Infelizmente é a minoria desses pacientes que tem surtos mais graves. Entretanto, o uso de susbstâncias químicas tende a ser maior entre os portadores desta doença do que na maioria da população. A substância química pode ser um gatilho até para um paciente estável, ela exerce um efeito neurobiológico ruim”, continua Sobrinho.

Pacientes com esquizofrenia podem, sim, ter uma vida normal, inclusive trabalhando. “Apesar disso, as pessoas não podem achar que todos os esquizofrênicos devem ser internados. Nem todos são agressivos. A internação só é necessária para um número pequeno e por um período curto, no máximo quatro semanas. Depois que o surto é estabilizado, ele volta para casa e passa a ser acompanhado. As pessoas precisam entender que a maioria absoluta dos esquizofrênicos não são um perigo para si e nem para a sociedade.”, pontua o médico.

Sintomas e opções de tratamento

Ismael Sobrinho também explica que, normalmente, os pacientes com esquizofrenia apresentam fases antes de entrar em surto, como ficar agitado, iniciar um discuso perseguitório, humor mais exaltado e agressividade. Quando isso ocorre, o primeiro passo a ser seguido é levar o familiar para o médico para que seja feito um ajuste nos remédios.

“A principal causa de surtos é justamente envolvendo a má adesão ao tratamento. A primeira coisa que a família tem que entender é que ela tem que supervisionar o tratamento. Se o paciente se recusa a tomar um medicamento, por exemplo, existem mecanismos na rede pública, inclusive com tratamentos injetáveis mensalmente, o que garante o tratamento”, explica.

Os medicamentos para esquizofrenia podem ser obtidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que existem duas classes: os de primeira e segunda geração. Os mais antigos podem ser obtidos nos postos de saúde e, os mais modernos, só são disponibilizados após a família requisitar, mediante protocolo médico, junto à Secretaria de Saúde do município.

Sobrinho conta ainda que pesquisas científicas apontam uma associação entre a esquizofrenia e a genética, já que há uma incidência maior da doença quando há casos em parentes de primeiro grau. “Mas não quer dizer que todos vão ter. É uma doença incurável e que é preciso tratamento para o resto da vida. A maioria dos pacientes, quando chegam na dose certa do remédio, se mantém estável ao longo dos anos. Um terço deles acaba tendo que fazer ajustes na dose, mas a maioria responde bem e fica estável”, conclui.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Hoje em Dia.
Imagem destacada: Reprodução.






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