Já conviveu com alguém bonzinho? Aquelas pessoas fofas e tão legais que fazem de tudo para ver as pessoas ao seu redor felizes, sabe? Aliás, isso é bem típico do bonzinho! Você pergunta o que lhe faz feliz e ele logo responde: “ver todas as pessoas que eu amo felizes!”
É um bom samaritano, benevolente e a sua vida é quase uma missão humanitária. Só que não! Não mesmo! Atribuir a alguém a responsabilidade por sua felicidade é dar a essa pessoa o fardo da sua infelicidade também!

Existe aí a primeira de muitas armadilhas: se ele não for feliz a culpa é sua! E ele fica “aliviado’ de seu lado “vilão”. Mas, na verdade seu lado vilão, perverso, fica totalmente visível com o sofrimento que causa a quem estiver ao seu lado, a quem tiver tão grande responsabilidade por “sua felicidade” .

Você já deve ter sacado que todo mocinho precisa de um vilão, né? Pense bem, em todas as histórias é assim!

E, para ser franca, todos nós temos os dois lados: o mocinho e o vilão. Quando estamos emocionalmente saudáveis percebemos isso e aprendemos a lidar com a nossa dualidade, com nossos opostos que nos completam. Reconhecemos que no mesmo dia somos heróis e algozes de nós mesmos. Nos salvamos das armadilhas que nós mesmos criamos!

Mas quando a pessoa não está bem emocionalmente, quando está fixada apenas no polo “mocinho” e quer ser “uma pessoa boa” a qualquer custo, isso se torna prejudicial para ela e ainda mais para quem convive com ela.

Se relacionar com um Bonzinho pode ser muito desgastante, cansativo e penoso. Como todo bom Bonzinho, ele “sempre tem que se ferrar”. Ou seja, a vida vai ser cheia de conflitos onde ele possa mostrar para si e para o mundo o seu lado heroico, fixado no Bonzinho, é claro!

Se todo mocinho precisa de um vilão e o Bonzinho não aceita seu lado vilão, onde ela vai projetar esse rival? Adivinha só! Em quem estiver ao lado dele, no mundo, nas circunstâncias… nos outros! Nunca será ele o responsável pelas suas armadilhas.

Estar em um relacionamento ou ser da mesma família de um bonzinho é tremendamente prejudicial à saúde mental.

Para manter seu posto de herói, o bonzinho vai transformar você no vilão da relação! Afinal ele precisa de um desafio, precisa vencer, mas como não se desenvolveu psíquica, emocional e espiritualmente, não vai vencer a si mesmo, a conflitos externos, assim ele não precisa olhar para os conflitos internos.

É aí que fica ainda mais perigoso estar em um relacionamento com ele! Se você convive com o Bonzinho, mas não se conhece o suficiente para perceber as armadilhas dessa relação, você corre grande risco! Pode acabar sucumbindo à projeção dele e acreditando que está sempre errada, que é a vilã dessa história!

São grandes as chances de você acabar assumindo mesmo esse papel que ele lhe oferece e ficar tentando se melhorar, se corrigir e ir afundando ainda mais em um sofrimento que vai lhe afastando de si e de tudo que acredita.

Os próximos passos são ver que a relação só vai piorando! Depois você vai se sentindo cada vez pior. Afinal, se o outro é tão Bonzinho, tão gentil, tão prestativo e, mesmo assim você não está feliz e o relacionamento continua indo de mal a pior tem que haver problemas. O problema só pode ser você!” Certo? Errado! Muito errado mesmo!

Estamos falando aqui do que a Psicologia chama de Bode Expiatório. É aquele membro da família que recebe a patologia de toda família. É criminalizado em todos os seus comportamentos para manter o foco nele, assim os problemas do grupo familiar não vem a tona e os demais membros não precisam lidar com suas questões.

Então, para continuar bonzinho o Bonzinho precisa que você continue sendo a pessoa má, ingrata, confusa… Para não olhar para sua desordem psíquica e emocional ele, inconscientemente, encarrega você disso.

O autoconhecimento é a chave para se libertar dessa relação tóxica.

“Quando você se conhece, quando toma consciência do SEU lado bonzinho e do seu lado malvado, você não fica mais vulnerável e disponível para carregar essa projeção.”

Falamos muito em relacionamentos abusivos onde há violência física. Mas, este tipo de relacionamento também se torna bastante abusivo a ponto da pessoa adoecer e não se encontrar já que, aparentemente e principalmente para os de fora, o Bonzinho é alguém maravilhoso, que faz tudo por você. É comum que as pessoas que estão nestes relacionamentos sintam-se ingratas, confusas e como se estivessem enlouquecendo. E estes são sinais claros de estar em um relacionamento abusivo.

Então, se você entrar em um processo de autoconhecimento essa relação pode se transformar. Você vai passar a não aceitar mais as projeções do Bonzinho, vai devolver a ele as questões que lhe são pertinentes e tomar conta das suas questões, da sua saúde mental, emocional e do seu desenvolvimento pessoal.

Se ele tiver disposto a assumir a própria vida, nesse momento vocês dois podem crescer muito! A relação pode amadurecer através do amadurecimento de vocês. Mas se ele não tiver coragem para assumir sua vida, ser quem é de verdade, com mocinho e vilão incluídos, aí ele vai continuar tentando responsabilizar você por tudo o que lhe causa sofrimento. Dependendo do nível de seu autoconhecimento e amor próprio (coisa que a gente desenvolve só se conhecendo mesmo) você vai parar de aceitar e essa relação não vai caber mais em você!

Então, você precisará de forças para seguir em frente deixando ele com suas questões. Afinal, “o Bonzinho tem que se ferrar sempre” para continuar em seu posto de Bonzinho, não é? E ele vai continuar causando isso inconscientemente em sua própria vida para reforçar essa crença limitante.

Carl Jung disse que “até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino”.

Então, se você que está lendo é O Bonzinho, cuidado! Porque se você não tomar suas questões, seu lado vilão, pelas mãos e entrar nesse processo de autoconhecimento é certo que você repetirá isso nas próximas relações. A vida pode ser muito melhor e mais feliz que “só se ferrar!” Basta você mergulhar em si mesmo!

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Fernanda Alcantara
Mulher, sorridente, curiosa e apaixonada pela vida. Encantada por histórias, contos, cantos, bichos e gente. Psicóloga junguiana e pós graduanda em acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa.