É inquestionável a importância de uma alimentação saudável na prevenção de doenças e aumentar a qualidade de vida. Entretanto, há pessoas que passam a ter comportamentos obsessivos em relação à dieta, buscando a perfeição alimentar, e surge uma fixação pela qualidade dos alimentos ingeridos.

A conjunção desses comportamentos ficou conhecida como ortorexia nervosa e quem sofre com esse problema apresenta uma rigidez alimentar acentuada e obsessão pelo alimento “‘biologicamente” puro para o bom funcionamento do organismo. Nesses casos, o consumo de alimentos considerados inadequados causa sentimentos de ansiedade, culpa exagerada, sensação de impureza e vergonha.

Marcella Garcez, nutróloga e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), explica que “A ortorexia ainda não foi reconhecida como um transtorno alimentar pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que é considerado o guia da psiquiatria. Porém, muitos relatos científicos já concluem que se trata de um transtorno, cuja a principal preocupação não é com a forma física e sim com a pureza dos alimentos ingeridos”.

O termo ortorexia foi descrito pela primeira vez na década de 1990 e ainda há poucos estudos relacionados ao tema. Estima-se que afete entre 1% e 7% da população em geral, sendo mais comum em mulheres. Além disso, sabe-se que quem faz dietas restritivas, segue modismos alimentares ou os atletas estão mais propensos a ter esse problema. Outros fatores de risco incluem tendências ao perfeccionismo, organização em excesso, ansiedade e necessidade de controle.

Riscos para a saúde

Entre os riscos para a saúde, ocasionados por essa visão de alimentação saudável mais radical, está a perda excessiva de peso. E pelo fato de a dieta ser mais restritiva, a pessoa passa a eliminar grupos alimentares importantes para o organismo. Muitos apresentam sinais de desnutrição, como perda de cabelo, problemas de pele ou interrupção da menstruação. Além disso, podem ter anemia ou alterações na frequência cardíaca.

Essas pessoas costumam perder muito tempo examinando os alimentos e são mais criteriosas na hora de comprar algum item. Também ficam preocupadas na fabricação ou produção dos alimentos e se são usados conservantes artificiais, pesticidas e hormônios, além de ficarem de olho na forma de preparo das refeições.

“Os pacientes apresentam acentuado sofrimento ao evitar os alimentos ‘ruins’ e pela procura de alimentos considerados extremamente saudáveis. Muitos podem ter uma restrição de repertório social, evitando comparecer a eventos em que não há alimentos que correspondam a suas especificidades”, explica André Felipe Martins, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein.

É importante esclarecer que não há problema em ter hábitos saudáveis e preferir alimentos naturais. Mas, o comportamento se torna patológico quando essas escolhas são realizadas de forma extrema e quando há restrições alimentares importantes que atrapalham a saúde e causam sofrimento emocional e psicológico.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de UOL/Viva Bem.
Foto destacada: iStock.

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