No momento em que Steven D’Achille ouviu sua filha chorando e percebeu que sua esposa, Alexis – que sofria há semanas com depressão e psicose pós-parto grave – não estava com o bebê, ele sentiu que algo terrível havia acontecido.

Em poucos minutos, ele descobriu que Alexis, de 30 anos, havia tentado tirar a própria voda. Dois dias depois, em 10 de outubro de 2013, ela faleceu na UTI de um hospital.

Desde aquele dia, Steven se sentiu compelido a transformar sua dor em força para ajudar outras mães que estão sofrendo como Alexis e que não conseguem encontrar a ajuda de que precisam: nos 15 dias anteriores ao falecimento de Alexis, o casal procurou ajuda em sete hospitais diferentes e instalações e foram rechaçados todas as vezes.

“Alexis sabia que estava com problemas”, disse Steven, de 39 anos, morador de Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA). “Ela foi muito clara sobre o que temia que acontecesse. Mas era sempre ouvia a mesma resposta, ‘Vá para casa. Você não está louca.'”

Steven e Alexis com a filha recém-nascida Adriana.

Quando Steven conheceu Alexis em uma festa em 2008, a atração foi instantânea. “Nós cruzamos os olhos e, a partir de então, nos tornamos inseparáveis”, diz ele.

Eles se casaram em 2009 e a gravidez foi tranquila. “Ela estava radiante e todas as coisas que você ouve sobre mulheres grávidas”, lembra Steven.

As coisas começaram a desmoronar quando Alexis deu à luz em 30 de agosto de 2013 a Adriana – um assustador parto “código azul”, em que o cordão umbilical da bebê ficou enrolado várias vezes em seu pescoço.

Enquanto Adriana nasceu saudável, Alexis passou a ter depressão pós-parto, desejo de tirar a própria vida e alucinações, e posteriormente psicose pós-parto, uma doença mental rara e pouco conhecida que provavelmente estava relacionada ao histórico familiar de transtorno bipolar de Alexis.

“Minha esposa acreditava que as dificuldades enfrentadas por ela em seus primeiros dias como mãe estavam prejudicando sua filha”, diz Steven, que trabalha no negócio de restaurantes de sua família.

“Foi imediato”, acrescenta Steven, “e cada dia era pior que o anterior.”

Steven, Alexis e a filha do casal, Adriana.

Alexis recebeu antidepressivos prescritos por seu obstetra – mas seus sintomas persistiram. “Ela começou a pensar demais em tudo”, diz ele. “Ela ouvia choros de bebês fantasmas, então ela não conseguia dormir. Ela não comia. Ela perdeu 22 kg em apenas cinco semanas e meia.”

Pouco depois do falecimento da esposa, Steven lançou a Fundação Alexis Joy D’Achille, com o intuito de aumentar a conscientização e os fundos para aqueles que lidam com ansiedade perinatal e transtornos de humor.

Então, em 2018, com o apoio de uma instituição chamada Allegheny Health Network, ele abriu o Alexis Joy D’Achille Center for Perinatal Mental Health, no hospital West Penn, em Pittsburgh. Trata-se de um centro de apoio que oferece serviços de terapia e cuidados infantis, entre outras coisas, para mulheres grávidas, novas mães e suas famílias. O programa já tratou cerca de 6.000 mulheres.

Steven e a filha Adriana.

“É tarde demais para Alexis, mas minha filha, se Deus quiser, vai ter filhos um dia, e eu não quero que ela enfrente os obstáculos que enfrentamos”, diz Steven. “Nós vivemos no melhor país do mundo. Como uma nova mãe não recebeu os cuidados que ela precisava?”

Uma das mães que ele ajudou é Brittany Kenna, 33, que lutou contra a ansiedade após o nascimento de sua filha em 2019 e se beneficiou dos programas do centro.

“Eu enlouqueci depois que tive minha filha, mas o psiquiatra de lá ajudou com minha medicação e terapia”, diz ela.

Agora grávida de seu segundo filho, Kenna está “tentando ser proativa nesta gravidez e vendo meu terapeuta no centro quinzenalmente”, diz ela. “É bom ter esse mesmo apoio. Eu ainda estaria perdida se não tivesse encontrado o centro.”

Em homenagem a Alexis, Steven planeja ajudar a abrir mais centros de apoio a novas mães e trabalha em estreita colaboração com o site MyCheckOnMom.com – que oferece ferramentas para ajudar as famílias a adotar uma abordagem proativa à saúde mental e à DPP e criar um plano de enfrentamento durante a gravidez e após o parto.

“Tem sido a minha terapia”, diz ele. “Eu não quero que a partida de Alexis seja em vão.”

Steven e a filha Adriana.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de People.
Crédito das fotos: Steven D’Achille.

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