Quando visitamos uma biblioteca, esperamos adquirir conhecimento a partir dsos livros, mas e se essa lógica fosse invertida e bibliotecas fossem espaços onde pudéssemos trocar conhecimento e experiências com outras pessoas? Pois é exatamente essa proposta de um projeto chamado ‘bibliotecas humanas’, criado em 2000 pela ONG Stop the Violence, sediada em Copenhague, na Dinamarca. Hoje já são mais de 80 bibliotecas humanas espalhadas em mais de 80 países em todos os continentes.

A primeira biblioteca humana abriu suas portas na capital dinamarquesa dentro do Roskilde Festival, um dos maiores festivais de verão realizados na Europa. A iniciativa, capitaneada pelo jornalista Ronni Abelger, tinha o objetivo de reduzir a discriminação existente entre os jovens, questionando preconceitos e estereótipos, além de promover o diálogo, a tolerância e compreensão para pessoas de outras raças, culturas e religiões.

No momento em que o projeto surgiu, um sentimento de rejeição à população estrangeira no país começou a surgir dentro de uma parte da sociedade dinamarquesa após intensa imigração. Com o intuito de reverter essa tendência, Abelger lançou a ideia e a primeira biblioteca humana inspirou outras pessoas que decidiram abrir novas bibliotecas em diversas localidades da cidade.

O projeto deu origem a um movimento organizado em torno da marca “Human Library Organization” [HLO], uma organização internacional sem fins lucrativos cujo objetivo é oferecer um lugar seguro para o diálogo, livre de preconceitos, e onde os assuntos sejam debatidos abertamente entre “livros humanos” e “seus leitores”. A organização é literalmente uma biblioteca de pessoas que promove eventos nos quais os leitores/ouvintes têm acesso a pessoas que se tornam “livros abertos” e podem ter conversas sobre os mais variados temas. A HLO tem como principal objetivo ser uma plataforma de aprendizado promovendo diversidade e inclusão.

A proposta dessas bibliotecas é que, em vez de encontrar livros no local, os frequentadores possam encontrar pessoas com histórias para contar. Assim, eles podem ficar sentados frente a frente por um tempo determinado para ouvir e dialogar. Nesse novo modelo, a ideia não é ler ou emprestar livros, mas compartilhar histórias pessoais para trazer à tona novas realidades que, por muitas vezes, estão distantes do nosso cotidiano. Nas bibliotecas humanas cada pessoa se oferece como um “livro humano” de maneira voluntária e gratuita. De certo modo, elas ensinam que, como nos livros, as pessoas não devem ser julgadas apenas pela “capa”, pela aparência.

No Brasil, a iniciativa acontece na Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que em setembro de 2019 realizou um evento com o intuito de combater o preconceito e aproximar pessoas com relatos de vítimas de intolerância. Com o suporte de profissionais de psicologia e biblioteconomia, a Biblioteca Humana da UFAM também conta com a certificação da HLO.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Bem Glô.
Foto destacada: Reprodução.

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