O professor Gilson Iannini, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é um dos responsáveis pela pesquisa “Sonhos confinados”, que se propõe a analisar o que os brasileiros têm sonhado durante a pandemia de coronavírus.

“As pessoas estão sonhando de uma maneira muito diferente. A nossa hipótese é que esse contexto todo que a gente está vivendo, tanto da pandemia, quanto dos impasses políticos e econômicos, geram uma exigência de trabalho psíquica intensa”, explicou.

A pesquisa é coordenada por profissionais da UFMG, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Enquanto a USP e a UFRGS são focadas em relatos de profissionais da saúde e da educação, a UFMG analisa sonhos de qualquer pessoa, de qualquer idade ou profissão.

Quem quiser enviar o relato não precisa se identificar. Os sonhos são colhidos em um formulário on-line, disponível no Instagram do projeto. A pessoa deve descrever o sonho e as lembranças, associações e interpretações que fez dele. “Se a pessoa preferir, pode mandar áudio no WhatsApp para contar mais detalhes”, completou Iannini.

Aproximadamente 660 sonhos já foram narrados pelos brasileiros, 360 só na base de dados da UFMG. Participam do trabalho na universidade mineira mais de 10 pesquisadores da pós-graduação em psicologia. O tratamento dos dados é realizado através de métodos computacionais de análise do discurso, com colaboração do Instituto do Cérebro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“O sonho é uma máquina que elabora aquilo que, durante o dia, a consciência não deu conta de elaborar com as ferramentas limitadas que tem”, afirmou o pesquisador. Dados preliminares da pesquisa mostram que há diferença entre os sonhos do início da pandemia, em março, e os de agora.

“Antes, ao que tudo indica, eles eram mais associados ao isolamento, à solidão e à angústia ligadas a isso. O termo que mais aparecia era ‘casa’. Agora, começaram a aparecer temas mais ligados ao falecimento, principalmente nas cidades em que a pandemia chegou de uma maneira mais expressiva, como no Rio de Janeiro”, detalhou o professor.

Segundo Iannini, a mudança na rotina por conta do isolamento social está entre as razões pelas quais estarmos nos lembrando mais do que sonhamos. Quando acordamos atrasados, acendemos a luz e lavamos o rosto, por exemplo, as sensações exteriores são mais fortes do que as do sonho. “É uma competição desleal, as experiências reais ocupam o psíquico de uma maneira mais forte. Se você acorda com mais tempo e fica mais tempo no escuro, a chance de se lembrar do sonho é bem maior”, comentou.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de G1.
Foto destacada: fujikama/Pixabay.

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