Quem vê a fofíssima Catarina Maria toda feliz na escola, não imagina que ela já enfrentou muitos desafios. A menina de Juazeirinho (PB) acaba de completar quatro anos, e seu desenvolvimento, resultado de estímulos, é visto como um verdadeiro milagre. Ela foi o primeiro caso confirmado com a presença do vírus da zika relacionado à microcefalia, ainda na barriga da mãe em novembro de 2015.

“Se qualquer neurorradiologista olhar a ressonância que ela realizou em 2019 vai dizer que a criança que tem aqueles achados não anda, não interage, tem crises convulsivas de difícil controle e não fala”, afirma a médica e pesquisadora Adriana Melo, responsável pela pesquisa que identificou o vírus na placenta onde estava Catarina e que até hoje acompanha a menina. “A evolução não condiz com os achados dos exames do cérebro”, garante.

A pequena hoje é tratada na associação comandada por Adriana, o Ipesq (Instituto Professor Joaquim Amorim Neto de Desenvolvimento), em Campina Grande (a 84 km de Juazeirinho), que é referência em acompanhamento de crianças com microcefalia associada ao zika.

Adriana Melo conta que quando Catarina nasceu, o diagnóstico era pouco animador: O diagnóstico ao nascer, lembra Melo, era pouco animador. “Nós observamos calcificações subcorticais e em núcleos da base que agiriam no lobo frontal, o que deveria causar crises convulsivas de difícil controle, mas ela nunca teve crise convulsiva e não toma remédio. O cerebelo dela é menor que o esperado e o vermis cerebelar é hipoplásico, o que dificulta o equilíbrio, mas ela anda”, conta Melo.

Vem caindo desde 2015 o número de casos de crianças que nascem com a Síndrome da Zika Congênita. Em 2019, foram 72 registros, menos da metade dos 168 de 2018. Em 2016, quando nasceu Catarina, houve o recorde: 1.768.

A rotina de Catarina é de uma criança especial. “Ela continua fazendo fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudióloga. Trabalho com ela também em casa. Ela anda com dificuldade, mas anda; adora brincar, mas o que mais gosta é um livro e uma caneta: ama riscar, pintar e folhear”, conta a mãe de Catarina, a fisioterapeuta Conceição Alcântara.

Os estímulos da mãe a Catarina ainda bebê são responsáveis também pelo avanço. E em 4 anos de vida são muitos pontos positivos. “Para quem recebeu o diagnóstico de que não iria viver, podemos dizer que foi um milagre, também por causa dos nossos estímulos com ela. Catarina nos surpreende a cada dia,
principalmente com seu carinho e simpatia. Ela ama brincar com o pai e passear”, diz. “Ela não fala ainda, mas se comunica com o balbucio dela ou por gestos. Algumas vezes fala o mã que é mamãe e tia”.
Vencer a maratona de terapias é hoje o maior desafio da menina. “Os cuidados são constantes, tendo em vista a sua baixa imunidade. Com isso, algumas vezes privamos ela de algumas diversões —parquinho à noite, viagens para lugares mais frios— e de certa forma enfrentar os preconceitos da sociedade. Mas diante de tudo isso tentamos fazer com que ela tenha uma vida normal como qualquer outra criança dentro das suas limitações”, conta a mãe.

No mais, Catarina tem uma vida como qualquer criança. Se estiver com um celular na mão, procura logo entretenimento. “Ela acessa o YouTube, inclusive pula o anúncio quando interrompe o desenho e fica rolando com o dedinho à procura do que ela quer”, diz.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de UOL Viva Bem.
Foto destacada: Arquivo Pessoal.

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