Um queixa frequente durante o período de isolamento social, imposto para impedir o avanço do novo coronavírus, é uma sensação de cansaço além do normal. Para a mestre em psicologia experimental e especialista em saúde Aline Maués, o contexto influencia bastante: “É um contexto desafiador, em que facilmente a gente se sente estressada, angustiada, triste e sem esperança”.

Segundo a psicóloga, são estes os motivos para estarmos nos sentindo tão cansados durante esses dias:

Rotina diferente

“Pode parecer que tudo continua igual, mas existe o medo de se contaminar, de contaminar a família e de perder o emprego. Há o medo de precisar ficar no hospital e não conseguir, ou de ser mais uma vítima fatal da doença. Tudo isso causa estresse e cansaço”, explica a psicóloga.
Também pode ser um problema não ter hora certa para dormir, acordar ou para se divertir no período de isolamento social. “Estabeleça horários, evite o contato com telas luminosas pelo menos uma hora antes de dormir, deixe o ambiente agradável para se deitar e pratique o relaxamento”, aconselha a profissional.

O home office pode ser exaustivo

O home office pode ser algo complicado de se administrar. “É delicado, você precisa ser produtiva, mas também tem que dividir o espaço com a família, conciliar os afazeres domésticos e mil outras tarefas pendentes”, explica Aline. “Com planejamento, é possível lidar com tudo isso e administrar o estresse, a ansiedade e a procrastinação, três fatores muito cansativos”, pontua. Para isso, vale – se possível, dividir espaços de casa entre trabalho, descanso e lazer. Além, é claro, de reservar um tempo para o autocuidado.

Falta de exercícios

“Como a gente se movimenta menos, nosso corpo vai se adaptando a nova rotina e pode apresentar perda de massa muscular, de condicionamento físico e alterações hormonais. Tudo isso pode aumentar a sensação de cansaço”, explica. “A dica é criar uma rotina de atividades físicas. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, semanalmente,150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa, para um adulto”, aconselha.

Falta de luz do sol

“É a exposição a luz solar que ajuda a regular o nosso ciclo de vigília-sono. Controlado pela melatonina, é ele que nos ajuda a adormecer quando escurece. Ou seja, se não há exposição a luz solar, o hormônio pode ficar desregulado e atrapalhar na hora de dormir”, pontua. Para evitar a insônia e fortalecer a imunidade, com vitamina D, a recomendação da OMS é banhos de sol três vezes por semana, de 15 a 20 minutos, nos horários de menor intensidade da luz.

“Cansei de mim”

Não é incomum sentir-se cansado de você mesmo em alguns dias. “Estamos tendo um contato intenso com os nossos sentimentos, com quem a gente é, com o mundo, e com as nossas prioridades e expectativas”, pontua a psicóloga. Por isso, é normal pensar muito e se cansar disso. “A quarentena pode funcionar como um exercício de autoconhecimento e o processo nem sempre é fácil ou agradável e dá trabalho, às vezes dói, mas ajuda.”

Atente-se

“Cansaço em excesso pode significar estafa. Se você se sente incapacitada de fazer as atividades diárias, este pode ser um sinal para procurar um profissional de saúde mental. Cuide-se e cuide dos seus. Observe seus comportamentos e, se tiver alterações de sono, extrema redução de produtividade ou não conseguir trabalhar, sentir pânico, estresse, e muita angústia, busque ajuda”, aconselha Aline.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Revista Glamour.
Foto destacada: Vlada Karpovich/Pexels

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