Pense em alguém que você conhece com um ótimo senso de humor. Você está pensando em um homem ou uma mulher? A maioria das pessoas, quando faz essa pergunta, imagina um homem. Existe um estereótipo predominante de que os homens são mais engraçados que as mulheres. Esse estereótipo é compartilhado por homens e mulheres – mas é claro, apenas porque existe, não significa que seja verdade.

Com a ajuda de Paul Silvia e Emily Nusbaum, da Universidade da Carolina do Norte em Greensboro, o psicólogo Gil Greengross – autor do site Psychology Today – colocou o estereótipo à prova. Ele revisou sistematicamente todos os estudos disponíveis que analisavam as diferenças na capacidade de humor entre homens e mulheres e, usando a ferramenta estatística chamada meta-análise, calculou a diferença. Antes de revelar os resultados, entretanto, é preciso explicar a metodologia usada por Greengross em seu estudo.

O humor é um fenômeno complexo que envolve influências sociais, emocionais, fisiológicas, cognitivas, culturais e evolutivas, só para citar alguns. Um aspecto importante é a capacidade de fazer os outros rirem. A capacidade de produção de humor é uma habilidade cognitiva distinta, que não se correlaciona com a apreciação e a apreciação do humor. Quando se tenta saber quem são os mais engraçados, é preciso então focar na capacidade de produção de humor.

Para isso foi realizada uma revisão sistemática conhecida como meta-análise, um método no qual os pesquisadores coletam todos os dados disponíveis sobre um determinado tópico que atendem a certos critérios definidos pelos pesquisadores. Neste caso, foram incluídos apenas estudos que avaliaram objetivamente a capacidade de humor. Foram Excluídos estudos em que as pessoas avaliavam sua própria capacidade de humor, pois a maioria das pessoas acredita ter um senso de humor acima da média. Também não foram incluídos estudos em que o gênero da pessoa era conhecido pelo avaliador. Por exemplo, o gênero de um professor pode ter um efeito sobre o quão engraçado ele ou ela é percebido.

O foco então estava nos estudos que avaliavam objetivamente a capacidade de humor de homens e mulheres. O que isto significa? Em um estudo que atendeu aos critérios de inclusão, os voluntários foram apresentados a um desenho animado sem legenda e, em seguida, foram convidados a escrever uma legenda engraçada. Mais tarde, um grupo de juízes classificaram as respostas por nível de humor em uma escala de 1 a 5. A chave para essas tarefas é que os avaliadores não sabiam nada sobre as pessoas que criaram as legedas para os desenhos, incluindo o gênero delas. Tais comparações são mais confiáveis ​​e válidas e aumentaram a confiança dos pesquisadores de que estariam medindo a verdadeira capacidade de produzir humor, com pouca influência estereotipada.

Foram enetão encontrados 28 estudos com 36 amostras independentes que atendiam aos critérios. A amostra combinada incluiu 5.057 participantes (67 por cento mulheres). Os estudos eram de vários países (EUA, Reino Unido, Hungria, Alemanha, Israel e mais). A maioria dos dados (60%) veio de dados nunca antes publicados em uma revista revisada por pares, o que ajuda a minimizar o efeito do viés de publicação.

Em seguida, foram calculdas as diferenças de gênero na amostra combinada e o resultado inducou que
os homens eram, em geral, classificados como mais engraçados que as mulheres. Quão grande foi a diferença? Em termos técnicos estatísticos, o tamanho do efeito foi de 0,32, ou aproximadamente um terço do desvio padrão. Em português claro, isso significa que 63% dos homens pontuam acima da capacidade média de humor das mulheres. Essa é considerada uma diferença bem pequena.

Os pesquisadores também analisaram uma longa lista de possíveis variáveis que poderiam explicar a diferença. Os países de onde os dados vêm, o gênero dos autores que fazem a pesquisa, a idade dos participantes, se havia mais homens ou mulheres julgando o humor – nada disso fez diferença em na análise.

O que tudo isso significa? Isso significa que, em média, os homens parecem ter maior capacidade de produção de humor do que as mulheres. Observe que foi enfatizada a palavra média porque o resultado dos estudo não indica que as mulheres não são engraçadas. O fato de os homens, em média, parecerem mais engraçados que as mulheres, não implica que todo homem seja mais engraçado que todas as mulheres. Existem muitas grandes comediantes femininas, como Tatá Werneck, Dani Clabresa,
Samantha Schmutz e, historicamente, Nair Bello, Dercy Gonçalves e muitas outras. Todas essas grandes comediantes são mais engraçados do que 99,9% de todos os homens.

Por que os homens teriam maior capacidade de humor do que as mulheres, em média? É possível que a visão de que as mulheres sejam menos engraçadas seja tão difundida que as forças sociais desencorajam meninas e mulheres de desenvolver e expressar seu humor, tornando menos provável que uma mulher seja vista como engraçada. Há, no entanto, evidências mínimas para apoiar a visão de que nossa sociedade impede as mulheres de produzir e exibir humor.

Por outro lado, as evidências sugerem que o humor desempenha um papel importante no acasalamento, com uma forte base evolutiva. As mulheres que assumem os custos mais elevados de reprodução ( gravidez , amamentação) são mais exigentes que os homens ao escolher um parceiro. As mulheres tendem a procurar vários indicadores de qualidade de companheiro, e um grande senso de humor é um deles. O humor está fortemente correlacionado com a inteligência, o que explica por que as mulheres valorizam os homens com um grande senso de humor, pois a inteligência foi crucial para a sobrevivência ao longo de nossa história evolutiva, quando vivíamos principalmente em grupos de caçadores-coletores.

Os homens, por outro lado, preferem mulheres que riem de seu humor. Isso significa que, ao longo de nossa história evolutiva, os homens provavelmente tiveram que competir mais com outros para impressionar as mulheres com seu senso de humor. Muitas evidências apóiam essa visão, mostrando o quanto é importante para as mulheres encontrar um homem com um grande senso de humor, enquanto os homens geralmente não atribuem um alto valor à capacidade de produção de humor das mulheres.

Independentemente da fonte da diferença, que ainda está aberta ao debate, a análise fornece a primeira revisão abrangente e sistemática das diferenças de sexo na capacidade de humor. Felizmente, mais pesquisas se seguirão.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Psychology Today.
Foto destacada: Multishow/Divulgação.

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