Ajustar nossas respostas emocionais é sempre um desafio. Mas quando o estágio que se abre diante de nós é inédito e incerto, esse desafio se multiplica. Como Albert Camus disse “benevolente ou hostil, a resposta está sempre desafinada”.

O coronavírus criou uma realidade comum para todos e, ao mesmo tempo, fragmentou-a em muitas micro realidades que nem sempre podemos intuir, imaginar ou entender. Essa crise sem precedentes não apenas nos atingiu inesperadamente, mas trouxe quase todos os problemas humanos para nós em uníssono, de modo que não há uma resposta única nem uma maneira única de ajudar.

Em momentos como esse, a melhor maneira de apoiar é validar as emoções.

A capacidade de acompanhar sem invadir e entender sem julgar

Todos nós precisamos ser validados emocionalmente. Quando somos pequenos e nossos pais validam nossas emoções, desenvolvemos uma maior consciência emocional, que se tornará o pilar que apoiará nosso bem-estar e saúde mental ao longo da vida, como mostrou um estudo realizado na Universidade Anglia Ruskin.

Quando crescemos, ainda precisamos dessa validação emocional. Se uma pessoa está angustiada, validar seus sentimentos pode ser a melhor estratégia para apoiá-la e fazê-la se sentir melhor enquanto passa por uma situação estressante, segundo psicólogos da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Pesquisadores da Universidade de Örebro também descobriram que quando as pessoas que sofrem de dor crônica recebem validação emocional de seus parceiros, elas relatam uma melhora em seu estado emocional e a qualidade do relacionamento melhora.

A validação emocional envolve reconhecer e aceitar os sentimentos, sensações e emoções de outra pessoa. Isso não significa necessariamente que aprovamos ou concordamos com suas decisões, mas que entendemos o que ela está sentindo.

Podemos acreditar que uma decisão não é a mais sábia ou a mais apropriada, mas ainda podemos apoiar emocionalmente uma pessoa. Podemos estar ao seu lado sem impôr condições, acompanhá-la sem invadir seu espaço e estar emocionalmente disponível sem julgar ou criticar.

Portanto, quando validamos as emoções de uma pessoa, estamos dizendo que é importante para nós, estarmos ao lado deles, não importa o que aconteça, e que respeitemos suas decisões. Infelizmente, na vida cotidiana, recebemos mais invalidação do que validação.

A invalidação emocional tem muitas faces

A invalidação emocional pode ser uma experiência particularmente dolorosa, especialmente quando se trata de pessoas importantes que devem nos apoiar. Ocorre quando essas pessoas rejeitam, ignoram, minimizam ou julgam nossos estados afetivos ou mesmo subordinam seu apoio emocional a condições, tornando-o uma moeda de troca.

Infelizmente, às vezes nós também estamos invalidando sem perceber. Estamos cometendo este erro sempre que:

Não prestamos atenção suficiente aos sentimentos dos outros e acabamos interpretando-os mal e tirando conclusões erradas que nos impedem de fornecer o apoio necessário.

Tentamos “consertar” os sentimentos dos outros, assumindo que esses são estados que podem ser abandonados ou adotados sob demanda, com frases como ” vamos lá, não fique tão triste”.

Assumimos que os outros devem sentir o mesmo que nós e reagir da mesma maneira, porque não fazemos um esforço para nos colocar no lugar deles e analisar a situação da perspectiva deles.

Minimizamos os sentimentos dos outros com frases como “não é tão ruim” ou “não se preocupe, não é nada”, mensagens que, embora possam ter as melhores intenções, servem apenas para fazer com que a pessoa se sinta mais sozinha e incompreendida.

Nós incentivamos alguém a experimentar coisas que não sentem dizendo frases como “você deve ser feliz”, porque assumimos que é a resposta “normal” para esse momento.

Julgamos emoções, geralmente culpando a pessoa por reagir de uma certa maneira, dizendo coisas como “não há problema em ficar com raiva” ou “você reagiu estupidamente”.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de Yahoo Vida y Estilo.
Fotos: Reprodução.

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