Talvez não exista quem, em algum momento de sua vida, não se perca de si mesmo. Perder-se em qualquer sentido, não precisa estar relacionado a se desviar por caminhos perigosos, mas simplesmente não mais se reconhecer diante do espelho. Como se ali estivesse uma outra pessoa, alguém que parece ter se afastado da própria essência.

Os tombos costumam tentar fazer isso com a gente. Após decepções doídas, perdas irreparáveis e doenças assustadoras, voltamos diferentes. Para que possamos nos reerguer e seguir, muitas vezes necessitamos nos esvaziar de tudo o que temos, para que nos reconstruamos renovados e distantes da dor de ontem. E então a gente muda. Tudo muda, ao redor e bem dentro da gente.

Somos motivados por sonhos, por desejos e por vontade de vencer, de dar certo na vida. Infelizmente, nem sempre as coisas acabam caminhando como queríamos. Muitas vezes, inclusive, tudo dá errado, nada parece vir mais ao nosso encontro. E a gente cai, e a gente se ferra. E a gente não consegue mais ver sentido em nada. A tristeza vem, as certezas se vão e, com elas, nossa segurança desaparece.

Do mesmo jeito que uma pessoa pode nos levantar, ela também pode ferrar com tudo. Da mesma forma que um emprego pode nos motivar, ele pode acabar com nossas forças. Relacionamentos, da mesma forma, ou nos deixam felizes, ou nos levam para o abismo. Nada é certeza, a vida é imprevisível e muita coisa acaba desmoronando, bem ali na nossa frente. Ah, o sentimento de impotência, que mal ele nos faz.

Acredite, é normal ter a impressão de que você é outra pessoa, de que sua energia não é mais a mesma. E isso nem sempre quer dizer que você está mal. Às vezes, você avança de um tanto, que nem dá tempo de se reconhecer direito. Você cresce por dentro e se livra de pesos inúteis, fica mais leve. Nessa hora, você tem que voltar a se ver como alguém que tem muito amor a oferecer e também merece assim receber.

Quando a gente se reergue, ninguém mais consegue nos enrolar. Quem tenta, a gente expulsa. E segue. Acredite: a gente segue.

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Artigo publicado originalmente em Prof Marcel Camargo

Photo by Matthew Henry on Unsplash

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".