Acredito que todas as pessoas já tenham tido a experiência embaraçosa de ser corrigida na frente de outras pessoas,sentindo-se profundamente humilhada por isso. Sabemos que ser corrigida faz parte da vida de qualquer pessoa, nascemos sob os cuidados de outras pessoas, no geral, os nossos pais e nossa família nuclear. Então desde os nossos primeiros dias de vida, somos submetidos aos ensinamentos dos nossos cuidadores, esse processo requer muita paciência e repetição, erros e acertos, obviamente, somos, quase o tempo todo corrigidos até que estejamos aptos naquilo que nos é ensinado. Até aí, nenhuma novidade. A vida segue e somos inseridos em outros grupos de convivência, por exemplo, a escola, lá também seremos expostos às experiências de aprender, errar e ser corrigido pela professora. Enfim, esse processo nos acompanhará por toda a nossa vida, afinal, sempre estaremos aprendendo algo novo, logo, sempre teremos alguém nos ensinando algo e o corrigir vem no pacote da aprendizagem, uma vez que errar faz parte do processo. O que quero tratar neste texto não é o corrigir em si, e sim, a intenção que antecede a correção.

Há uma linha muito tênue entre o corrigir e o humilhar ou constranger. Por vezes, precisamos ter muito cuidado para não cometermos uma injustiça com alguém, julgando-o como inconveniente ou maldoso, de igual modo, precisamos estar atentos para não confundirmos pessoas que nos humilham com pessoas que nos corrigem eticamente.

Há muita maldade maquiada de gentileza e solidariedade, sabemos disso. Entretanto há casos em que, a pessoa que corrige a outra, está tão mal intencionada que essa peçonha salta aos olhos, pelo menos da pessoa corrigida. Aquela coisa: a pessoa pode até fingir, mas a sua energia sempre entrega a intenção real dela. Não é questão de falta de humildade em ser corrigido por alguém, a questão é que determinadas pessoas nunca perdem a oportunidade de ensinar ou corrigir outra pessoa sem expô-la ao ridículo e fazendo-a sentir-se diminuída, especialmente perante outras pessoas. Há casos, inclusive, em que o erro do outro não traria prejuízo para ninguém, e poderia perfeitamente passar desapercebido, mas há sempre um infeliz para jogá-lo ao vento e causar aquele constrangimento. As pessoas com esse perfil opressor percebem na falha do outro uma oportunidade de autopromoção. Ela poderia, perfeitamente, ao identificar um erro de outra pessoa (e que seja necessário corrigir), apontar-lhe o erro de modo gentil e empático, e tentar ajudá-la, porém, ela aproveita essa oportunidade para humilhar a outra e mostrar-se superiora. Ah, não pensem que essas pessoas usam sempre uma postura arrogante nesses momentos, pelo contrário, algumas são super sutis, usam um tom de voz suave e fingem uma educação impecável. Entretanto, a pessoa corrigida consegue discernir a intenção da dela, ela sente que foi exposta e humilhada. Independente do nível intelectual da vítima, ela perceberá e interpretará tudo, é algo energético, sabe? Ninguém precisa ser “letrado” para identificar o sentimento de sentir-se ofendido, isso é inato, está no DNA humano.

Porém, algumas pessoas pensam que enganam com suas atitudes, com seus “tapas com luvas de pelica”. É certo que existem muitas pessoas com sérios bloqueios de aprendizagem oriundos de situações de humilhação. Conheço caso de pessoas que desistiram de estudar por vergonha de interagir nas aulas, pois nas poucas vezes em que fizeram perguntas ao professor, este as humilharam. Se todas as correções fossem, de fato, motivadas pelo amor ou pela ética, muitos dos traumas que as pessoas carregam teriam sido evitados.

Imagem de capa: Gearstd/shutterstock

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Ivonete Rosa
Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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