Quero ser normal?

Por Audrey Leme

De acordo com os dicionários “normal” = conforme a norma, dentro da regra; comum;usual; que não se destaca, etc.
O desejo de ser “normal” do ponto de vista psicológico faz algumas pessoas procurarem nos medicamentos uma forma de suportar as angústias do dia-a-dia: remédio para dormir, remédio para comer, remédio para produzir “felicidade”, etc. mas, no fundo estas pessoas podem ter receio de encarar de frente os problemas e escavar sua consciência para evitar reconhecer sua responsabilidade em seus conflitos.
De fato os medicamentos são de extrema importância em diversos casos. Contudo, será que eles bastam para colocar as pessoas dentro da suposta “normalidade”?
Porque é tão difícil olhar para dentro de nós mesmos e assumir as nossas loucuras?


“Normose” é um conceito da Filosofia que fala sobre um conjunto de hábitos e padrões de comportamento esperados nas pessoas, que as levam a repetir o que todo mundo está fazendo. Tem a ver com a tendência de se buscar ser como os outros, ser socialmente aceito, mesmo que isso cause sofrimento ou perda de sentido da vida, deixando de questionar e de escutar nossas vontades próprias.
Hoje, por exemplo, é “normal” trabalhar mais de 50 horas semanais fazendo algo que não gostamos, para comprar algo que não precisamos, gastar até aquilo que não podemos e exibir nas redes sociais o que não somos.
Nossa vida psicológica normalmente é cheia de questionamentos, emoções, crises e transições. Todos nós em algum momento da vida temos idéias intrusas, medos ilógicos, pensamentos indesejáveis ou ansiedade mais intensa, por exemplo.
O que caracteriza um transtorno ou patologia é o fato destas situações dominarem nossa vida e causar sofrimento emocional, nos impedindo de escolher e viver outras experiências, ou seja, quando perdemos nossa liberdade de escolha e ficamos presos a estes sentimentos ou comportamentos.
A ajuda psicológica pode contribuir para compreendermos nosso sofrimento e restaurar nossa capacidade criativa, libertando-nos dos sentimentos que são “normais”, mas que nos impedem de nos desenvolver…

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Audrey Leme
Psicóloga Clínica de abordagem psicanalítica; Atualmente atende em consultório particular e no Dispensário Madre Tereza de Calcutá na cidade de Limeira-SP; ministra palestras para a comunidade com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).



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