Sendo a instabilidade emocional, impulsividade, e problemas nas relações pessoais como as principais características do Transtorno de Personalidade Borderline – TPB, lidar com pessoas que sofrem desse transtorno é uma tarefa árdua e complexa. Pessoas próximas tendem a sofrer por se acharem culpadas de alguma forma, por não saberem como ajudar ou como lidar com certas situações provocadas pelos comportamentos de desequilíbrio.
Então seguem algumas orientações básicas para quem convive com uma pessoa com TPB:

  1. Tome conhecimento sobre o transtorno, suas características e possíveis comorbidades psiquiátricas que a pessoa possa apresentar. Entender melhor essas questões dará maior clareza do que é consequência do transtorno, do que poder ser contornado e do que está fora do controle dos outros. O Conhecimento sobre o transtorno ajudará também a ter maior empatia diante dos ataques de raiva ou até de agressão, ao ponto de entender que a pessoa com TPB pouco ou nada tem de controle diante de seus impulsos.

2. Mantenha o ambiente domiciliar calmo e com uma rotina diária. Pessoas com TPB possuem pouca tolerância ao estresse e podem se beneficiar de um ambiente calmo. Além disso, pessoas com TPB temem a solidão e rupturas nos relacionamentos e por isso as viagens e ausências precisam ser bem planejadas para que se evite a sensação de abandono e rejeição.

3. Tenha clareza na comunicação. Mensagens objetivas, curtas, com pouca carga emocional facilitam a comunicação. Por outro lado, sermões e argumentações tendem a provocar irritação e até comportamentos agressivos da pessoa com TPB. As instruções e pedidos também devem ser bastante coerentes para facilitar a compreensão.

4. Estabeleça limites. A definição de limites pode ajudar a pessoa no exercício do autocontrole. Os limites devem ser definidos consensualmente e com bastante cuidado para que a pessoa entenda que isso é para o seu benefício.

5. Estimule o paciente a iniciar e continuar o tratamento psicológico e psiquiátrico. É de extrema necessidade que o paciente receba ajuda profissional e que não abandone o tratamento recomendado.

6. Leve a sério as ameaças de suicídio e esteja atento(a) às automutilações. Procure dar o apoio e ser empático ao sofrimento.

7. Não leve para o lado pessoal. Pessoas com TPB podem ser cruéis com insultos e comportamento agressivo de forma inesperada e até inexplicada diante das oscilações entre amor e ódio.

Algumas orientações do que não fazer com pessoas com TPB também são dignas de nota, como, por exemplo ameaçar ou dar ultimatos, permitir que abandone o tratamento indicado e ignorar as ameaças de suicídio.  Antes de cuidar da pessoa com TPB, é importante cuidar de si mesmo(a) e estar presente em uma rede de apoio e procurar ajuda psicológica. Independente da situação estressora, é necessário compreender que não há motivos para se culpar, porque ninguém causa o transtorno, não pode curar e nem controlá-lo.

Ajudar uma pessoa com TPB é um desafio diário, de altos e baixos, que requer o esforço de todas as pessoas envolvidas de modo a criar uma relação de apoio em prol do acompanhamento e suporte a pessoas que sofrem de um dos quadros clínicos mais complexos e desgastantes.

Imagem de capa: Liliia Beda on Unsplash

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


Compartilhar

RECOMENDAMOS


Maíra Mendes dos Santos
Psicóloga, coach, master practitioner em PNL, especialista em psicopatologia clínica, mestre em ciências, doutora em saúde coletiva e sócia-proprietária da Onmental Espaço Terapêutico

COMENTÁRIOS