A ideia de ter uma pessoa próxima sofrendo algum tipo de abuso é estarrecedora, ainda mais quando se trata de um filho. É tão difícil encarar essa possibilidade que parece ser mais fácil nem pensar no assunto. Entretanto, o abuso sexual é uma prática que acomete um número avassalador de pessoas, de todas as classes sociais. Entre 2015 e 2016, o disque 100 recebeu 37 mil denúncias do crime com pessoas de até 18 anos de idade. Os números são ainda maiores quando se consideram vítimas que não tiveram coragem de contar para um adulto e de ainda adultos que não levaram a queixa de uma criança a sério.

A violência sexual deixa marcas irreparáveis na psiquê das vítimas, gerando, muitas vezes, transtornos mentais como depressão, transtorno borderline, transtorno afetivo bipolar e transtornos por uso de álcool e outras drogas.

Uma criança vítima de abuso sexual tende a não verbalizar o fato, porém costuma sinalizar de outras formas e, por isso, é muito importante que os adultos fiquem atentos a qualquer um desses sinais:

Alteração repentina de comportamento: a criança vítima de abuso costuma se comportar de forma diferente, sem nenhum motivo aparente. Se ela costumava ser extrovertida, por exemplo, passa a evitar socialização; se era carinhosa, tende a ficar agressiva; se era comunicativa, costuma ficar mais calada;

Alteração no tipo de relação com o abusador: é comum que a vítima passe a demonstrar rejeição, ou até pavor, diante do abusador, mas pode acontecer de ela também passar a apresentar uma proximidade excessiva;

Regressão: outro indicador é quando a criança passa a apresentar comportamentos de uma fase infantil que já havia superado, como por exemplo voltar a fazer xixi na cama, passar a chupar dedo ou até começar a chorar sem motivo específico;

Mudança de hábitos: o sinal de abuso também pode estar em mudanças na forma de se vestir, no desempenho escolar ou no padrão alimentar;

Questões de sexualidade: é comum vítimas de abuso apresentarem a temática sexual de forma mais frequente nas brincadeiras, desenhos ou conversas com outras crianças ou adultos;

Marcas físicas: sinais mais óbvios são machucados ou marcas no corpo da criança, principalmente nas partes mais íntimas.

Importante salientar que não se trata de um sinal apenas, mas de um conjunto de indicadores que se manifestam de acordo com o contexto de vitimização. Caso um adulto identifique algum desses sinais, é indicado que ele procure imediatamente um especialista, de preferência um psicólogo, que possa ajudar na identificação da problemática e orientar sobre providências a tomar com a criança e autoridades. Acima de tudo, a vítima necessidade de proteção, apoio e acolhimento nesse momento para que os danos não sejam ainda piores.

Dia 18 de maio foi batizado como dia nacional contra o abuso sexual de crianças e jovens. A data foi escolhida para lembrar do dia em que Araceli Crespo, de 8 anos, foi raptada, estuprada e morta por jovens de Vitória (ES) em 1973. Que possamos transformar essa data em motivo de conscientização e proteção constante das nossas crianças e jovens.

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Maíra Mendes dos Santos
Psicóloga, coach, master practitioner em PNL, especialista em psicopatologia clínica, mestre em ciências, doutora em saúde coletiva e sócia-proprietária da Onmental Espaço Terapêutico