Por um mundo mais gentil

Pessoas rudes são vistas no mundo inteiro como desagradáveis, todos querem distância. Cafeterias no Estados Unidos, França e no Brasil acharam um jeito de lidar, com este tipo de gente, oferecendo descontos aos seus clientes que disserem: “bom dia, “por favor”, “olá”. Os internautas não pouparam críticas:  “pessoas sem habilidades sociais terão que evitar totalmente estes lugares”.

Será que essa estratégia daria certo em nossos dias?  Vivemos num mundo onde a competição e a ganância deixam as pessoas agressivas, pois ser gentil é uma arte esquecida nesses tempos de corre-corre. Mas se a gentileza for feita com o coração é capaz de evitar as dores cotidianas causadas por rispidez e má vontade, porque ninguém nasceu para causar transtornos e amarguras aos outros.

 

A gentileza é a essência do ser humano. Quem não é suficientemente gentil não é suficientemente humano, pois o humano em nós está em construção. Uma vez que a gentileza proporciona relações amistosas. Ser gentil garante uma convivência equilibrada entre as pessoas. A gentileza traz a calma e a tolerância. Como faz bem as palavras mágicas: bom dia, por favor, obrigado.

 

Não é a educação que deixa uma pessoa gentil. Gentileza é uma maneira de pensar, de ver o mundo, uma atitude que vai muito além do que definem os códigos de bom comportamento. E para ser gentil não precisa de atitudes grandiosas. São gestos simples que podem ser seguidos pelas outras pessoas.

 

A diferença entre uma pessoa fraca e uma pessoa gentil: o fraco reage, grita, revida, é vingativo, perde a razão. O gentil é flexível, espera o momento certo para agir, trata o semelhante com afeto, mas defende seus direitos com firmeza. Porém, ser gentil não é aceitar tudo o que os outros nos fazem. É preciso colocar limites, mas sem perder a racionalidade. Não é gritando é que vamos mostrar que temos razão. Nossos valores é que devem ser elevados e não o nosso tom de voz.

É possível dizer “não” sem mostrar raiva e podemos defender nossas opiniões com firmeza, mas sem ser rude. É possível criar novas maneiras de agir nos lugares onde a gentileza não está presente.  Mas não podemos compartilhar as atitudes do tipo: “bateu, levou”, “olho por olho”, “vai ser pago na mesma moeda” ou algo do gênero. São tais posturas que transformam um mundo num lugar ameaçador de se viver.

Quando impera a grosseria na família, trabalho, escola, entre casais e colegas fica difícil a convivência, gerando um círculo vicioso de tensão, que ajuda a somatizar doenças no corpo, como úlceras estomacais, enxaquecas e outros sofrimentos. Porém, a prática da gentileza nos dá serenidade – para não se contaminar com essas situações, como diz Kalil Gibran: “Aprendi silêncio com os falantes, tolerância com os intolerantes e gentileza com os rudes. E, ainda assim, estranho, sou ingrato a esses mestres.”

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista



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