Me arrisco a dizer que a depressão seja o assunto mais comentado, discutido, questionado e publicado dentre todos os que estão relacionados ao adoecimento mental. Quem nunca leu alguma publicação sobre o tema? Quem não conhece alguém que sofre ou já sofreu com essa doença? Não importa a classe social, a aparência física nem a idade… Ela pode afetar você ou alguém que você conheça. Por isso é importante entender primeiramente do que se trata para pensar em estratégias para auxiliar no tratamento.

Antes de entender do que se trata, vale lembrar que a depressão não deve ser confundida com uma tristeza fruto de uma reação normal aos acontecimentos desfavoráveis da vida.

Ora, após o fim de um relacionamento é esperado que a pessoa se sinta triste, quem perde um ente querido pode passar por momentos de tristeza e profunda dor, perder um membro do corpo, receber notícia de que não conseguiu atingir um importante objetivo pessoal como por exemplo não ser aprovado no final do ano letivo ou perder o emprego…

Enfim, nem sempre a tristeza é um sintoma de depressão. Somos todos dotados de emoções e devemos aprender que vários sentimentos e emoções são esperados em algumas circunstâncias e TODOS nós sentimos eventualmente. Outra coisa que tenho observado que tem sido comum é que pessoas em sofrimento mental preenchendo critérios diagnósticos para vários outros tipos de transtornos, comumente são “classificadas” como depressivas às vezes por parentes ou pessoas conhecidas e essas pessoas falam com uma propriedade sobre o assunto que chega assombrar, é como se qualquer transtorno mental pudesse ser explicado pela depressão ou como se ela fosse o único transtorno existente.

Segundo o Manual Diagnóstico Estatístico DSM – V os sintomas vão desde alterações do sono e do apetite, fadiga, disfunções cognitivas, falta de concentração, capacidade diminuída de pensar, humor deprimido, sentimentos de inutilidade, culpa, diminuição do interesse e prazer em atividades que antes eram realizadas, disfunção psicomotora, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio e/ou tentativas de suicídio.

Devemos estar atentos justamente por que algumas condições médicas podem desencadear em sintomas depressivos, além disso a depressão pode surgir com sintomas psicóticos, catatônicos, em alguns casos há a presença de sintomas de ansiedade o que demanda uma avaliação criteriosa de cada caso. A maioria dos casos pode ser tratado com psicólogo através da psicoterapia, entretanto em alguns casos é importante o uso de medicamentos que serão prescritos somente pelo psiquiatra (único profissional habilitado e adequado para prescrever medicamentos para pessoas em sofrimento mental). A depressão é uma doença séria, é um fator de risco para o desenvolvimento de várias outras doenças, portanto é imprescindível que seja diagnosticada e tratada por profissionais habilitados, por isso não deixe de consultar o profissional que realmente pode ajudá-lo na condução do tratamento.

Como possíveis estratégias para o auxílio no tratamento, considere tomar algumas atitudes, como por exemplo:

1) Evite estar isolado, eu sei que um dos sintomas é justamente sentir vontade de estar sozinho e a falta de interesse em atividades que envolvam contato com pessoas, porém isso pode ser muito prejudicial e aumentar os sintomas da depressão, por isso aceitar a ajuda de parentes e amigos e evite estar sozinho pode lhe trazer benefícios a longo prazo, mesmo que no início lhe pareça difícil.

2)Aconselhamento Nutricional, considere a busca de aconselhamento com profissional nutricionista, pois o consumo de alguns alimentos bem como a restrição de outros pode auxiliar a lidar com os estados de humor.

3)Pratique Atividade Física, a prática de atividades físicas está associada a melhoria do humor, isso por que além do corpo o nosso cérebro se beneficia de atividades físicas.

4) Mantenha-se ativo: atividade laborativa, você sabia que trabalhar é um fator de proteção em prol da sua saúde mental? Pois é, trabalhar, manter-se em uma atividade remunerada melhora bastante a saúde mental das pessoas. Mas vale aqui ponderar algumas coisas, a primeira delas é que é importante que se trate de uma atividade que não exponha a situação de stress excessivo, outra situação é que obviamente um trabalho com relações fragilizadas onde ocorra assédio moral pode ao invés de melhorar, piorar bastante a saúde mental de qualquer pessoa.

Além da ajuda profissional pensar em melhorar a qualidade de vida como um todo pode trazer benefícios a longo prazo para os pacientes.

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Imagem de StockSnap por Pixabay

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