Na vida diária estamos expostos ao barulho permanente e nos ajustamos de tal modo, que acreditamos que ficar em silêncio é uma coisa estranha. Em casa ligamos o rádio ou a televisão e no trabalho ou na rua estamos “plugados” no celular e nos ruídos em nossa volta, pois não suportamos ficar em silêncio.

Vamos a locais barulhentos porque a ausência de chiados nos entedia. A gente não se dá conta, mas fugimos do silêncio, com medo da solidão. Para alguns o silêncio relembra a tristeza e para outros é a agonia da possibilidade de estar perto de pessoas ardilosas, que se aproveitam da calmaria para dar uma “rasteira”.

Vivemos em uma época que briga contra o silêncio. Uma verborragia, que nos impulsiona a falar muito, sobretudo, pelas redes sociais e na “balbúrdia” dos entretenimentos. Assim, impera a negação do silêncio, que significa uma tensão psicológica para armazenar cada vez mais informações e sons, de qualidade duvidosa.

A origem disso encontra-se na conversação ruidosa, que eliminou as formas de diálogo. Nas cidades – já faz parte às rotinas avessas – ao silêncio, que são comandadas pelos caos no trânsito e por diversas fontes de poluição sonora.

Mas, por isso, é necessário entender o silêncio como signo de sabedoria. O silêncio é completo de significados terapêuticos e espirituais. Quando estamos imersos nele, ouvimos melhor a nós mesmos e entendemos melhor os sinais do mundo.

Além disso, o silêncio é a conexão que nos permite cultivar o nosso espaço interior, onde é possível buscar as respostas para sentido da vida. O segredo do silêncio é que ele nos permite apreciar uma refeição, degustar os sabores, inspirar o aroma dos perfumes e sentir a formosura emanada da natureza. O silêncio é a afirmação generosa e singular dos eventos indescritíveis.

A espiritualidade cristã nos indica que o caminho do silêncio é revelador da presença de Deus. O livro de Eclesiastes descreve que temos o tempo de falar e o tempo de silenciar. Segundo o Evangelho de Mateus: Jesus guardava silêncio, no seu julgamento, diante do sumo sacerdote de Israel. O chefe religioso provocava, mas Cristo ficava calado, como forma de resistência contra a opressão.

O budismo afirma que a mente humana deve ser mais temida que cobras venenosas e assaltantes vingadores. Por isso, há o caminho do silêncio, para aquietar as oscilações mentais. Nessas tradições espirituais, o silêncio é momento sagrado de nos recolher em nós mesmos, que nos leva a serenar a mente e o coração, de sentir a suavidade de nos aquietar na presença amorosa do Ser Divino, sem precisar dizer nada.

Enfim, a busca do silêncio potencializa o nosso crescimento mental e espiritual. É como disse Aldous Leonard Huxley, o notável escritor britânico: “O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência como o mármore não talhado é rico em escultura”.

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista