As mentiras estão presentes no contexto afetivo, familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade, que em bom português tem uma lista de sinônimos: boato, embuste, fofoca, falsidade, farsa, fraude, trapaça, etc.

Além disso, todos os dias somos bombardeados com mentiras através de textos, fotos e vídeos, que se multiplicam de modo irrefreável nas redes sociais.

Porém, diferente do engano, as mentiras têm o propósito de dizer algo falso, que é moralmente reprovável. Enquanto, o engano é um erro que foi causado por falta de atenção ou falta de conhecimento.

Em geral, as mentiras das crianças são vistas como “inocentes”, mas na realidade são resultados dos traumas vividos na infância, que podem se estender na fase adulta com a finalidade de prejudicar a vida dos outros, por interesse ou maldade.

Por essa razão, que os bons exemplos nas famílias e nas escolas são fundamentais, pois esses lugares devem cultivar um ambiente de confiança e respeito que dê espaço à verdade.

No entanto, se as famílias e as escolas não se dedicarem em corrigir as crianças e os adolescentes, a tendência é que eles se transformem em adultos mitomaníacos, que usarão as mentiras como meios de obter vantagens ou de fugir de situações conflituosas.

Desse jeito, é comum que muitos adultos se tornem mentirosos compulsivos, uma vez que eles apresentam um quadro de carência emocional acentuada. Eles utilizam as mentiras como um mecanismo de defesa, como forma de negar a dor ou as sensações de desprazer.

A mentira na política é antiga: As discussões filosóficas apontam que o objetivo dela é enganar o público, que para Aristóteles se distingue em duas espécies: a jactância, que consiste em exagerar a verdade, e a ironia, que consiste em diminuí-la. Hoje, a mentira ganhou novos métodos de propagação na internet, com a intenção de iludir os eleitores.

Na religião cristã a mentira é representada pela figura do Diabo, um termo que vem do grego, “diabolos” e do hebraico, “satan”, que é aquele que divide e provoca discórdia. Para Jesus, o Satanás “quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira”.

O que se encaixa no dito popular que afirma que “a mentira tem perna curta”, ou seja, que cedo ou tarde ela acaba sendo descoberta, expondo que os mentirosos querem manter “a sujeira debaixo do tapete”, para não serem pegos em flagrante.

Sendo assim, os sujeitos falam uma coisa no início, contam outra no meio e desdizem outra no final, revelando as mentiras em suas expressões faciais, que detonam tensão, nervosismo e inquietação. É como disse o genial Machado de Assis: “A mentira é muitas vezes tão involuntária como a respiração”.

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Jackson César Buonocore é Sociólogo e Psicanalista

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista