Na última terça-feira (10), o jovem André Ramon surpreendeu sua mãe no trabalho para lhe dar uma esperada notícia: a sua aprovação no curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac).

André e a mãe comemoraram a aprovação dele no curso de medicina — Foto: Arquivo pessoal

O resultado do vestibular saiu no dia do seu aniversário de 26 anos. Neste dia, ele comemorou com os amigos e fez questão de ir até o trabalho da mãe, Vilenilde Arruda Maciel, de 48 anos. Ela trabalha como faxineira em uma academia de Rio Branco e foi lá que recebeu a notícia.

Em um vídeo feito pelos amigos de André, Vilenilde sai do estabelecimento e encontra o filho que diz: “Mãe, eu vim lhe avisar que não era uma ilusão, era só um sonho difícil e eu passei em medicina na Universidade Federal do Acre”, diz ele antes de um logo abraço emocionado na mãe.

A mãe fica bastante emocionada e agradece. “Esse é o melhor presente da mamãe. Graças a Deus, parabéns mesmo”, fala entre lágrimas.

Mãe e filho ficaram se abraçam emocionados — Foto: Arquivo pessoal.

Em conversa com o G1, Vilenilde contou que não conseguiu terminar os estudos porque teve que trabalhar desde muito cedo. Para ela, ver o filho entrando na faculdade é motivo de orgulho e esperança.

“Tenho certeza que agora começa uma nova etapa nas nossas vidas. Estou com muito orgulho e espero que a gente consiga caminhar para uma vida melhor a partir de agora”, diz a mãe.

André sempre estudou em escola pública e sentia dificuldades em diversas áreas do ensino. Com ajuda de um vizinho e amigos, ele conseguiu terminar os estudos e começar um cursinho. O primeiro curso que passou foi em engenharia florestal, também na Ufac, mas logo depois teve uma greve e ele, que também estava insatisfeito com o curso, decidiu trancar.

“Conversando com meu vizinho e também com um professor, comecei a cogitar a medicina, foi quando comecei a olhar o curso com outros olhos e comecei a me dedicar para tentar passar no curso”, conta.

André ao lado do vizinho que tanto o ajudou nos estudos, Pablo Marques — Foto: Arquivo pessoal

Os anos de tentativas não foram fáceis. André teve que lidar com a dificuldade de acesso à internet, materiais e também teve que trabalhar bastante nas áreas em que tinha algum tipo de deficiência no aprendizado.

Mas, apesar das dificuldades, André contava com o apoio da mãe, que sempre acreditou no seu sonho e permitiu que ele se dedicasse aos estudos.

“A ajuda dela foi crucial, de deixar que eu ficasse em casa estudando. Nossa cultura no Acre e no Brasil é que quando uma pessoa pobre faz 19 anos ela tem que sair de casa e procurar trabalho e eu não, fui contra isso e as pessoas não entendem. Muitas vezes, fui chamado de vagabundo, mas continuei estudando e minha mãe entendia. Eu sabia que somente a educação ia poder me fazer virar a chave”, conta.

André estudava mais de 8 horas por dia — Foto: Arquivo pessoal

André passou no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do 2º semestre com 731 pontos. Ele diz que não sabe qual foi a maior felicidade: saber que passou ou a oportunidade de poder contar isso para a mãe.

“Fui até o trabalho da minha mãe, porque ela quem esteve comigo esses anos todos e eu não via a hora de contar pra ela. A maior felicidade de um vestibulando como eu é poder dar essa notícia para sua mãe, dá esse orgulho, é a melhor coisa, às vezes até mais importante do que a própria aprovação. A gente almeja esse momento, de podermos contar isso para nossa mãe”, conta.

Ele disse sabe que a partir de agora sabe que novos desafios começam, mas acredita que esse é o pontapé inicial para mudar de vida.

“A expectativa basicamente é continuar a mesma luta até me formar, são cinco ou seis anos até me formar. Claro que a Ufac dá grande apoio em bolsas alimentação e isso vai me ajudar muito em casa e muitas pessoas dizem que vão me ajudar neste caminho. Muita gente diz que o difícil é sair da faculdade, mas eu penso o contrário. Agora que consegui entrar, consigo vislumbrar uma mudança de vida. Passar em medicina, além de uma realização do sonho, é a grande oportunidade de mudar de vida e fazer a casa da minha mãe que ainda é de madeira. Por isso que tem todo aquele sentimento no vídeo”, diz.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de G1.
Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal.

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