O nosso grande desafio é construir uma cultura permanente de valorização da saúde mental, que não é apenas a ausência de transtornos mentais. É, sobretudo, proporcionar às pessoas as condições subjetivas e objetivas de uma vida saudável e feliz.

A saúde mental é determinada por uma série de condições socioeconômicas, biológicas e ambientais. Porém, esses fatores estão sob ataques, que colocam a existência dos moradores das periferias e das comunidades rurais em situações precárias de trabalho, de degradação do seu meio ambiente, de exclusão social e de violação dos direitos humanos.

Há muita pressão para que os trabalhadores sejam cada vez mais produtivos. Somente em 2016, mais de 75 mil funcionários foram afastados de suas funções por conta de quadros depressivos, segundo os dados do Instituto Nacional de Previdência Social – INSS.

Os números da Organização Mundial de Saúde – OMS, mostram que 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão. Aliás, a depressão consome os indivíduos pela tristeza profunda, a falta de ânimo, pessimismo e baixa autoestima, e a ansiedade traz preocupações ou medos exagerados, dando a sensação constante de que algo de ruim irá acontecer.

Ademais quando esses sofrimentos se tornam prolongados as pessoas têm as suas vidas destruídas. Um exemplo, são os atingidos pela barragem de Mariana que continuam até hoje pagando um alto custo dos adoecimentos mentais, sem o direito de regressar às suas casas, sem o convívio com seus vizinhos e amigos, sem suas plantações, sem suas escolas e igrejas locais.

Entretanto, o serviço de Saúde Mental de Brumadinho conseguiu responder prontamente às necessidades de familiares e amigos dos 272 mortos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão. Apesar das dificuldades, o Sistema Único de Saúde – SUS com sua emergência de atenção psicossocial atende as comunidades atingidas pelo luto e desamparo, que tem a possibilidade de reconstruir as suas vidas, os seus afetos, às suas relações sociais e de trabalho.

Mas não podemos achar que é normal esse tipo de sofrimento. É como disse o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti: “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”, ou seja, é dificílimo viver num mundo que melhora a vida de poucos e piora a de muitos, que mesmo assim a angústia e a depressão afligem todas as classes sociais.

Portanto, é um dever da sociedade e dos governos garantir o cuidado com a saúde mental da população. Mas enquanto isso não se transforma em realidade, precisamos ficar alertas às pressões do cotidiano e as mudanças no mundo, que direta ou indiretamente atingem a nossa saúde mental.

Afinal, a vida não pode ser boa para poucos e ruim para muitos, contudo, devemos manter o nosso equilíbrio emocional, a fim de não sermos engolidos pelas loucuras do mundo. Então, não se martirize à toa, mas “antes de diagnosticar a si mesmo com depressão ou baixa autoestima, primeiro tenha certeza de que você não está, de fato, cercado por idiotas”, como alertou Freud, pois são eles que ajudam a gerar uma sociedade doente.

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Foto destacada: Maria Tyutina/Pexels

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista