Hoje, o tecido social do nosso país está esgarçado por um ambiente de incertezas, o que empurra muitas pessoas para os “braços” do fanatismo. Assim, um grito de gol, um discurso político ou uma pregação religiosa se transforma num estado psíquico de devoção cega, rígida e irracional.

O fanatismo é um sentimento fervoroso, que invadiu o mundo real e virtual, onde uma simples discussão vira motivo de ofensas e brigas, retroalimentando uma legião de fanáticos, que são incapazes de ouvir argumentos contrários ou iniciar uma conversa saudável.

É por isso que os fanáticos aderem obcecada e cegamente a uma causa política ou religiosa. Desse modo, eles manifestam características comuns, tais como: dificuldade em escutar, agressividade, preconceito, estreiteza mental e visão maniqueísta, que tornam a vida um palco de guerra constante, porque não conseguem lidar com suas fragilidades.

Essa adesão não tem matizes e nem limites, pois os fanáticos creem que podem mudar o mundo de acordo com suas crenças. E mesmo que, para isso, tenham de cometer atos insanos ou cortar relações com familiares, amigos e colegas de trabalho, a fim de impor suas ideias.

Existem diferentes tipos de fanatismo, o que mais se destaca é o fanatismo político e religioso. No extremismo político não se respeita as regras do jogo democrático e se rejeita conviver com os que pensam diferente. No sectarismo religioso, os sujeitos acreditam que suas crenças são boas para eles e ideal para todos, porém, os que forem contra são perseguidos ou agredidos.

Os fanáticos em grupos – são mais perigosos – para produzir uma ruptura social. O pensador francês Gustave Le Bon já havia alertado para o comportamento bizarro dos indivíduos ao se unirem em grupos, formando uma espécie de mentalidade única irracional.

Le Bon, no seu livro Psicologia das Multidões, escreveu: “Nas grandes multidões, acumula-se a estupidez, em vez da inteligência”, ou seja, os fanáticos entregaram o seu superego a um líder, um objeto ou uma causa idealizada, enfraquecendo suas personalidades e aptidões intelectuais.

Em princípio, o fanatismo não se constitui como um transtorno de personalidade, mas alguns fanáticos apresentam um quadro psicótico ou delirante, visto que eles acreditam em “verdades imutáveis” e ainda são rígidos consigo e com outros, não escapa ninguém.

Portanto, o que previne o fanatismo, é o exercício pleno da liberdade de pensamento, expressão e imprensa, principalmente, o investimento em educação de qualidade, que são instrumentos capazes de promover a cultura do diálogo e do respeito às diferenças, senão seremos pautados por “fanáticos cibernéticos”.

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Jackson César Buonocore é Sociólogo e Psicanalista

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista