Para conseguir estar bem com as pessoas com quem convivemos precisamos estar bem com nós mesmos. Estar bem consigo mesmo requer aceitar ser quem se é. Ora, mas se passamos a vida inteira escondendo de nós a nossa real face, criando praticamente um personagem escondendo os nossos defeitos ou o contrário disso escondendo as nossas qualidades e se sabotando, colocando no outro aquilo que na verdade está em nós, paralisando a cada desafio, tendo medo de nos revelar ao mundo como vamos realmente nos conhecer? E se não nos conhecemos como vamos nos aceitar sendo verdadeiramente quem somos? E se paralisamos frente aos desafios como vamos alcançar os nossos objetivos?

Ter autoestima é viver em um estado de consciência de quem verdadeiramente se é, conhecendo as nossas qualidades e tudo aquilo que há em nós que precisa ser melhorado, entendendo o que está por trás dos nossos atos, conhecendo os nossos valores, os nossos propósitos e ainda assim tendo a convicção de que merecemos ser felizes e que conseguiremos enfrentar os desafios da vida.

Portanto, quando falamos em autoestima estamos nos referindo a uma série de atitudes internas que podem ser treinadas e estimuladas e passam por uma jornada de autoconhecimento, autoaceitação, respeito a si mesmo, responsabilidade sobre o próprio comportamento entendendo os próprios erros assumindo e se responsabilizando na correção deles, ter autoestima é de fato, ser quem se é tornando-se o autor da própria vida, se aceitando sem precisar se esconder ou ser de um jeito diferente para poder ser aceito pelos outros.

Acerca disso, o psicoterapeuta e escritor Nathaniel Brandon escreveu um livro na década de noventa que se tornou uma referência no assunto, o título é “Autoestima e os seus seis pilares” onde define seis pilares que seriam seis atitudes fundamentais: a atitude de viver conscientemente, a atitude de autoaceitação, a atitude de autorresponsabilidade, a atitude de autoafirmação, a atitude de intencionalidade e a atitude da integridade pessoal.

Outro livro interessante que aborda a temática se chama “A coragem de ser imperfeito” da inspirada pesquisadora e escritora Brené Brown, segundo ela “o nosso cérebro processa a rejeição social e a vergonha da mesma maneira que processa a dor física” para entendermos melhor quais são as possíveis consequências disso basta lembrar que desde a infância a maioria de nós é exposta a uma série de eventos e experiências de vergonha que podem ir minando a nossa coragem inata de tentar algo novo sem o medo de errar.

Isso requer a atitude de não ter vergonha de viver sendo quem se é. Mesmo que às custas de críticas alheias, por que afinal se sabemos quem realmente somos não aceitamos os rótulos das outras pessoas que muitas vezes aparecem em forma de crítica destrutiva, conseguimos compreender também que é bem provável que a crítica seja apenas a opinião do outro e isso não significa que ela é a realidade. Realidade é realidade. Opinião pessoal, pertence a quem deu a sua.

Só para se ter uma ideia dos efeitos da autoestima na nossa vida basta pensar que quanto mais baixa for a sua autoestima mais fácil será para você ir aos poucos se perdendo em si mesmo e esquecendo quem você é de verdade, esquecendo os seus valores e crenças. Isso pode desencadear relações impróprias e doentias com comportamentos de inferioridade diante da vida e diante do outro. Também pode desencadear situações de dependência emocional e relações abusivas que acabam por diminuir cada vez mais a autoestima deixando as pessoas presas em um ciclo de sabotagem. Outra consequência se refere a possibilidade de vivenciar uma vida profissional e acadêmica com mais leveza e assertividade encarando os desafios de frente reconhecendo os erros e seguindo em frente.

A baixa autoestima pode ser observada na maioria dos casos de pessoas que estão em sofrimento mental acometidas por uma diversidade de transtornos mentais, também pode ser observada em pessoas que permanecem em relacionamentos abusivos e são vítimas de violência. Em muitos casos a gênese da baixa autoestima pode estar na infância ou em várias experiências onde o constrangimento por ter cometido algum erro ou mesmo situações onde houve a sensação de abandono ou experiência de maus tratos, privações, violências e violação de direitos.

Essas experiências podem gerar em um indivíduo várias crenças distorcidas inclusive relacionadas ao desamor, desvalor que poderão desencadear em pensamentos negativos e comportamentos sabotadores que podem paralisar as pessoas diante dos desafios da vida, fazendo com que elas tenham medo excessivo ou não tenham a coragem de ser elas mesmas.

Quando desenvolvemos a nossa autoestima temos a oportunidade de enxergar a vida com outros olhos. Não significa que os nossos problemas acabaram. Somos nós quem desenvolvemos um outro olhar diante da vida. Um olhar que nos dá a certeza de que já temos em nós as competências necessárias para resolver os nossos desafios, por que somos capazes disso e merecedores de viver em plenitude. Ter essa certeza e confiança pode gerar em nós o poder de mudar muita coisa em nossa vida. No livro “Mindset: A nova psicologia do sucesso” da renomada professora de psicologia Carol Dwek, a autora ressalta a importância que as crenças pessoais têm sobre nós e como desenvolver uma nova mentalidade pode mudar o nosso comportamento diante da vida.

Portanto, embora a massificação nas mídias sociais sobre o tema possa levar as pessoas a terem uma ideia diferente do que de fato seja a autoestima, o desenvolvimento da autoestima pode ser uma rica experiência de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

Imagem de cocoparisienne por Pixabay

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