Enquanto algumas pessoas defendem que “todos” deveriam fazer psicoterapia eu analiso a questão com cuidado por que percebo que, embora a psicoterapia possa proporcionar vantagens e benefícios para todas as pessoas, nem todos estão dispostos ou realmente desejam realizar psicoterapia. Psicoterapia é para todos que realmente querem fazer psicoterapia.

A questão é que ficou popularizado a relação entre psicoterapia e desabafo, só que, embora ocorra o acolhimento e escuta clínica do paciente, a psicoterapia nunca poderá ser confundida com uma mera conversa ou um simples desabafo. Ela não pode ser substituída por uma conversa de botequim ou um encontro com um amigo, simplesmente porque o psicólogo é treinado para fazer com que o paciente descubra a sua opinião (a do paciente) sobre as suas questões, o que é bem diferente de quando estamos com um amigo que sempre nos dá a opinião pessoal dele.

Além disso, o mais comum é que a maioria das pessoas passem boa parte de suas vidas “colocando em baixo do tapete” a realidade de quem elas realmente são e nem todo mundo tem o desejo de se deparar consigo mesmo. Fazer psicoterapia é como se deparar em frente a um espelho que nos revela a nossa face, nem sempre as pessoas da nossa contemporaneidade líquida querem experimentar essa experiência, até por que não se trata de uma experiência instantânea, requer tempo e uma certa dedicação.

Agora pense aí em quantas pessoas que você convive e estão realmente dispostas a isso? Talvez você seja sortudo e conviva com pessoas que realmente se interessam, mas caso você perceba que poucas pessoas do seu convívio têm interesse real em fazer psicoterapia não se preocupe. A psicoterapia requer coragem e coragem é um privilégio de poucos.

No que se refere a tratamento específico para reestabelecimento de saúde mental, a psicoterapia é parte fundamental do processo. Porque é lá onde a pessoa terá a oportunidade de trabalhar com segurança formas de lidar com as suas questões, entenderá como essas questões podem estar influenciando na sua saúde mental.

Provavelmente, um medicamento não terá o efeito a longo prazo (do ponto de vista de mudança de hábitos, revisão de atitudes, etc) que a psicoterapia pode proporcionar aos clientes. Aliás, esse é um cuidado que é tomado na psicoterapia, para que o cliente receba o melhor tratamento possível, sendo medicado apenas pelo profissional indicado para isso: o psiquiatra. Com isso se evita o uso irresponsável e indiscriminado de medicações.

Em “Terapia Cognitivo Comportamental” para desafios clínicos Judith Beck lista algumas dificuldades previsíveis em psicoterapia que podem inclusive influenciar na sua eficácia. Segundo a autora, uma dessas dificuldades está relacionada ao fato de que algumas doenças não diagnosticadas têm sintomas que podem sugerir algum tipo de transtorno mental ou comportamental, contudo, ao se realizar uma investigação mais aprofundada percebe-se que se trata de um problema de saúde.

Isso na prática significa que, por exemplo, seria irresponsável para o profissional que atende pessoas com sintomas ansiosos prosseguir o seu atendimento sem que o seu cliente tenha ouvido a opinião de um outro profissional da saúde sobre eles… Sabemos que não somente a tireóide é causa de alterações do humor, mas também alguns problemas de saúde podem gerar sintomas semelhantes a outros transtornos.

No livro “The Techinique of Psychotherapy” o renomado psicanalista americano Lewis R. Wolberg reconheceu que poucas palavras dos vocábulos que existe no campo da saúde mental são tão ambíguos quanto o termo psicoterapia.

Quando pensamos em psicoterapia, devemos lembrar que num processo psicoterápico existe um objetivo preestabelecido e que a partir daí ocorrerá uma relação didática e empática entre um especialista e a pessoa que solicita o seu cuidado.

Na Terapia Cognitivo Comportamental os objetivos do tratamento são definidos com clareza conforme os problemas apresentados pelos clientes. Ao longo do tratamento o psicoterapeuta vai junto com o seu cliente explorar cada um dos níveis de organização cognitiva. Dessa forma, a dupla psicoterapeuta e paciente identifica desde os pensamentos automáticos até o sistema de crenças do sujeito.

Nessa abordagem a psicoterapia na não se trata do uso de várias técnicas soltas, para que de fato ela aconteça é fundamental que seja realizado em colaboração com o cliente uma conceitualização cognitiva que vai guiar os objetivos do trabalho a ser desenvolvido e poderá ser a qualquer tempo revisto pela dupla paciente psicoterapeuta.

A Terapia Cognitivo Comportamental é baseada em evidências… E também é reconhecida no mundo inteiro como eficiente e eficaz no tratamento de vários transtornos mentais e comportamentais, além disso também pode ser útil para o desenvolvimento pessoal e autoconhecimento.

Portanto, a psicoterapia é para quem tem a coragem de entrar em uma jornada de autoconhecimento e descoberta de suas potencialidades. Mas, também é para quem tem alguma dificuldade ou algum problema, contudo jamais deveria ser vista como algo pejorativo por que fazer psicoterapia é uma delícia.

Imagem de capa: wavebreakmedia/shutterstock

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