O termo mentira vem do Latim mentior, que significa faltar à palavra dada, fingir, imitar e dizer falsamente. A origem dessa expressão é adequada à nossa época das fake news, pois o conceito atual de mentira é o ato de enganar ou ludibriar, isto é, emitir afirmações falsas que foram ditas por alguém, esperando que os ouvintes acreditem nos seus dizeres.

A psicanálise explica que na maioria das vezes o hábito de mentir é um mecanismo de defesa inconsciente, visto que alguns sujeitos possuem um profundo vazio existencial que preferem correr o risco de serem descobertos, do que sentirem-se rejeitados por falar a verdade.

Além disso, crianças e adolescentes que cresceram em um ambiente tomado por mentiras têm a tendência de repeti-las na fase adulta, uma que vez que a mentira é uma conduta aprendida por imitação. Mas, para que isso não ocorra, os pais devem educar seus filhos sobre as consequências que as mentiras podem causar, e que é uma questão de decência optar pela franqueza.

Ademais, existe a mitomania que é um distúrbio de personalidade, em que as criaturas mentem de forma compulsiva, com o objetivo de prejudicar os outros, sem nunca mostrar vergonha quando as mentiras são desmascaradas. E existem as mentiras conscientes que deterioram as relações amorosas, familiares, profissionais, etc., enervando a convivência entre as pessoas.

Porém, temos indivíduos mentirosos não mitômanos que, mesmo assim, contam inverdades diplomáticas, insinceridades políticas e todos os tipos de mentiras, que ao ouvi-las me lembro de George Orwell, que fez suas profecias no livro “1984”, de um futuro cheio de mentiras oficializadas e de mecanismos de vigilância.

Hoje, vivemos a era da “pós-verdade”, ou melhor, da “velha mentira” que consiste na difusão de notícias falsas e ideias distorcidas, com uma rapidez vertiginosa que amplifica os boatos, através de tecnologias que manipulam documentos, textos, imagens e áudios, em qualquer lugar do mundo.

Apesar disso, mentir sempre foi contra os padrões morais das tradições religiosas. A propósito, Jesus disse que a mentira não vem de Deus e se declarou como o “caminho da verdade e da vida”, bem como Buda alertou: “Uma mentira pode salvar seu presente, mas condena seu futuro.” E nas escolas filosóficas, por exemplo: Aristóteles, Santo Agostinho e Kant condenavam a mentira.

Para os mitômanos existe ajuda terapêutica, mas para os mentirosos da pós-modernidade é salutar dizer que as mentiras têm suas horas contadas, porque tudo é conferível, portanto, não é tão fácil mentir o tempo inteiro nos dias atuais, já que temos à nossa disposição instrumentos capazes de desqualificar as mentiras, em todas as situações da vida.

Então, é “papo furado” dizer que uma mentirinha não afeta ninguém. É como bem afirmou: Leon Tolstói, o genial escritor russo: “Toda mentira é um veneno; não há mentiras inofensivas. Só a verdade é segura. Só a verdade me dá consolo. É o único diamante inquebrável.”

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Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

Imagem de analogicus por Pixabay

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista